Sustentabilidade ganha espaço nas empresas

 

 

Agricultura inteligente é uma das ações inclusivas no segmento de agronegócio/ Foto: freepik

Um estudo realizado com mais de 450 executivos sêniores latino-americanos comprovou algo que o mercado já vem sentido: a agenda de sustentabilidade vem ganhando espaço e importância junto a grandes empresas. Encomendada pela SAP à CIO Research, a pesquisa abrangeu empresas da Argentina, Brasil, Colômbia e México e mostrou que, mesmo com diferenças entre um e outro país, o tema vem ganhando espaço.

Tanto é assim que 60% dos entrevistados indicaram que o perfil das empresas em que trabalham tem uma afinidade importante com questões como igualdade de gênero, economia circular, mudanças climáticas e profissionais do futuro. O percentual indica o crescimento da agenda de sustentabilidade nestas empresas, incorporando novos temas aos já existentes.

Outra constatação é que a igualdade de gênero é vista hoje pela maioria das empresas (63%) como o principal tema da agenda, mas com importância muito alta também para cadeias de valor socialmente responsáveis (53%) e emprego e formação profissional (45%). Isso é reflexo de uma nova atitude, com a sustentabilidade permeando toda a organização, deixando de ser um programa para se tornar uma nova abordagem de negócios.

Talvez por isso 69% dos executivos tenham afirmado que suas empresas já contam com uma estratégia de sustentabilidade em vigor e 18% disseram que estão trabalhando para implementá-la. É uma jornada que está em curso, mas já tem sua força reconhecida. Para 63% dos respondentes, contar com essa estratégia é fundamental para a reputação da empresa. Este é o mesmo percentual que declarou que a sustentabilidade é parte do propósito das companhias.

A SAP tem ajudado seus clientes a se aprofundar nesta jornada tanto que, em janeiro, nomeou Pedro Pereira como o primeiro Chief Sustainability Officer para SAP América Latina. “É fato que no mundo estão surgindo modelos de negócios que colocam as pessoas, o planeta e a lucratividade em pé de igualdade. Dentro de alguns anos, esses modelos serão a norma e terão reinventado a forma como as empresas criam valor”, afirma o executivo.

Pereira afirma que este é o futuro em todo o mundo e prevê que, em pouco tempo, nenhuma empresa será lucrativa se não for sustentável. É essa expectativa que tem ligado regulamentações, investidores ‘verdes’, mudanças políticas e sociais, lucratividade e impacto. “Na SAP, temos um compromisso de longa data com a sustentabilidade e aprendemos muito sobre como medir e gerenciar o impacto dos negócios no planeta e nas pessoas”, diz, lembrando das cinco estratégias para que as empresas se tornem sustentáveis (ao final da matéria).

Habilitando sustentabilidade

Para ajudar seus clientes, a SAP Brasil mapeou como suas soluções podem ser utilizadas para levantar, analisar e medir indicadores essenciais de desempenho econômico, ambiental e social propostos pelo Global Reporting Initiative (GRI) e descobriu que dispõe de 23 soluções capazes de medir 90 indicadores do GRI que contribuem para que seus clientes avancem em sua jornada de sustentabilidade.

“Os sistemas da SAP podem ser utilizados para adicionar informações sobre todas as etapas de processos – dos administrativos aos operacionais –, de forma a contribuir para a adaptação das companhias a mudanças de regulamentação, consumo de energia, gestão de resíduos, políticas de responsabilidade de produtores, entre outros pontos cada vez mais urgentes em uma economia pautada pela sustentabilidade e em linha com padrões globais e melhores práticas”, afirma Pereira.

Um destes sistemas foi lançado em janeiro. Trata-se de uma nova ferramenta de gestão orientada a medir os resultados das iniciativas de sustentabilidade, gerenciar melhor as emissões de gases de efeito estufa de nível 3 e otimizar as estratégias adotadas pelas empresas. O SAP Cloud for Sustainable Enterprises, é uma solução que permite identificar, quantificar, analisar e atuar sobre os dados das operações de ponta a ponta, e assim administrar de forma abrangente o desempenho em sustentabilidade.

“Até muito pouco tempo atrás, as empresas tinham de escolher entre serem lucrativas ou sustentáveis. Com nosso novo portfólio de sustentabilidade, é possível ter o melhor dos dois mundos contando com uma solução na nuvem que integra dados e processos para gerenciar a pegada de carbono, reduzir desperdícios de material e caminhar em direção a uma sociedade mais justa e sustentável. Agora podemos ter lucro e preservar o planeta, ter produtividade sem deixar de pensar nas pessoas; ser inovador e garantir a preservação. Ter de escolher entre os dois mundos não é mais uma exigência”, afirma Pedro Pereira.

Um bom exemplo é a Votorantim Cimentos, empresa de materiais de construção e soluções sustentáveis, que atualizou sua base de fornecedores cadastrados para ampliar a sua visibilidade sobre a conformidade dos seus parceiros em relação a práticas ambientais e sociais por meio da plataforma SAP Ariba, sistema que a empresa utiliza desde 2017. Chamado Censo de Fornecedores, o levantamento define os critérios e minorias que devem ser priorizadas nos processos de compra da companhia para ampliar a base de fornecedores com impacto social.

O Censo de Fornecedores é realizado via Ariba SIPM (sigla em inglês de Supplier Information and Performance Management) no momento da homologação e re-homologação, quando os parceiros são convidados a preencher uma pesquisa sobre sua atuação em Sustentabilidade. Nas perguntas são abordados temas como gênero e raça dos cinco principais executivos e da liderança da empresa, contratação de pessoas com deficiência e atuação no desenvolvimento da comunidade local, seja por meio de contratação de funcionários ou por investimentos sociais, para identificar o perfil de atuação dos fornecedores e ampliar o impacto social da empresa. A Votorantim Cimentos já utilizava critérios de sustentabilidade em suas decisões de compras e esse processo ficou ainda mais transparente e produtivo com o uso do Censo.

A iniciativa é parte do Programa Suprimentos Sustentável, iniciado em 2020, que busca adequar as práticas de compras da Votorantim Cimentos para garantir que nenhum fornecedor descumpra a legislação ou as normas de compliance da empresa. Ao mesmo tempo, o programa impulsiona benefícios socioambientais para a empresa pela área de Suprimentos, por exemplo, gerando renda nas localidades que a empresa atua; reduzindo a pegada de carbono na cadeia de suprimentos e o aumentando a diversidade e inclusão no perfil dos fornecedores da companhia.

Ao realizar o processo de cadastro, os fornecedores devem aceitar o Termo de Condições Gerais da Votorantim Cimentos. Caso seja identificado indícios de má conduta, o fornecedor é desmobilizado e bloqueado para evitar futuras contratações.

Outro exemplo é o da Suzano, referência global na fabricação de bioprodutos desenvolvidos a partir do cultivo de eucalipto, que desenvolveu uma solução para sistematizar e automatizar a coleta de dados para a elaboração do inventário de emissões de gases do efeito estufa da empresa, utilizando um o sistema motor de controle de dados da Estratégia de Mudanças Climáticas da companhia e contempla uma série de indicadores que foram previamente mapeados e associados às metas de longo prazo da empresa.

Os principais motivos que levaram a Suzano a adotar este projeto na plataforma SAP foram estruturar um banco de informações que garanta a confiabilidade dos dados, diminuir os erros nas coletas das informações e ganhar agilidade na elaboração do inventário de emissões de gases do efeito estufa e de relatórios. A visão e o controle de dados e indicadores contribuem para o entendimento do atual cenário, monitoramentos e gestão de metas vinculadas aos mesmos, além de estudos de cenários futuros que contribuam para o avanço da estratégia de sustentabilidade de forma mais assertiva.

Com o sistema, as informações de todas as operações da Suzano passam a ser unificadas, centralizadas e integradas aos sistemas de Business Intelligence (BI) e de produção integrada (PI) da empresa. O processo contempla 26 unidades operacionais, incluindo indústrias, operações florestais, escritórios nacionais e internacionais, portos, entre outros, e mais de 250 colaboradores e colaboradoras envolvidos.

Durante o desenvolvimento do sistema, constatou-se que mais de 55% dos dados extraídos já estavam de alguma forma sistematizados ou consolidados nos sistemas SAP e no sistema de PI, sendo necessária apenas estruturar as extrações para um modelo adequado. Entre os dados indexados na solução está o controle de insumos fósseis e renováveis utilizados para a geração de energia dentro das indústrias, incluindo o consumo de biomassa e gás natural. Adicionalmente, a empresa vem desenvolvendo diversos outros projetos para ampliar a eficiência e reduzir o consumo de insumos fósseis, utilizando a ciência de dados como elemento principal para análise e tomada de decisão.

Cinco ações para tornar as empresas mais sustentáveis

Estabelecer uma estratégia de negócios com sustentabilidade – é importante não tentar adicionar questões de sustentabilidade às antigas estratégias de negócios. Para oferecer benefícios reais, a sustentabilidade deve ser incorporada em todas as principais funções de negócios, incluindo finanças, gestão de capital humano, design de produtos e serviços, fabricação, gestão da cadeia de suprimentos e experiência do cliente.

Integrar informações financeiras e não financeiras e colocá-las em pé de igualdade – para realizar qualquer estratégia, é necessário quantificar e analisar os resultados. Coletar e analisar dados de sustentabilidade é um passo fundamental para alcançar a gestão holística de um negócio sustentável.

Medir e gerenciar as emissões de carbono de todo o ecossistema – a transparência sobre as emissões de carbono de um produto em toda a cadeia de valor, incluindo produção, matérias-primas, uso de energia e transporte é essencial para poder quantificar a pegada de carbono e reduzi-la. Muitas empresas sustentáveis ​​optam por estabelecer um preço interno do carbono para “internalizar” os custos externos das mudanças climáticas. Essa métrica fornece clareza financeira para as decisões e investimentos necessários para acelerar a ação e a inovação de negócios sustentáveis. Controlar as emissões da cadeia de suprimentos é especialmente importante. Estudos mostram que as emissões da cadeia de suprimentos são, em média, 11,4 vezes maiores do que as emissões operacionais.

Abraçar a circularidade e tornar-se regenerativo – 91% dos recursos materiais são perdidos em aterros sanitários ou vazam para o meio ambiente após o consumo. Portanto, uma estratégia sustentável deve incluir princípios operacionais para reduzir, reutilizar, reciclar e recuperar materiais. O passo seguinte é incluir ações de regeneração da natureza (como reflorestamento, restauração de áreas úmidas, incorporação de árvores e vegetação nas cidades e reabilitação de áreas costeiras e ecossistemas oceânicos). Além de ser a coisa certa a se fazer, tornar um negócio líquido positivo é uma grande oportunidade de negócio. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, as empresas que colocam a natureza em primeiro lugar gerarão US$ 10,1 trilhões por ano em oportunidades de negócios e criarão 395 milhões de empregos até 2030.

Priorizar as pessoas em toda a cadeia de valor – a sustentabilidade não é apenas sobre o meio ambiente. Para garantir que uma estratégia de negócios promova a diversidade e a inclusão e proteja os direitos humanos, as empresas devem ter visibilidade de sua própria força de trabalho e de seu ecossistema e cadeia de suprimentos.

Fonte: Com informações da SAP Brasil

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Redacao EJ

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