Tempos bons urgem na Bahia

A chegada da maior montadora de carros elétricos do mundo, a chinesa BYD– “Build Your Dreams” traz um divisor de águas para o estado, após a saída da Ford, em 2021. Anúncio oficial foi feito no início de julho, com a presença da vice-presidente global e CEO para as Américas, Stella Li, e o governador Jerônimo Rodrigues (PT)

 

A Bahia teve um grande impacto com o fechamento da fábrica da Ford no Complexo de Camaçari, em 2021. À época, em torno de 30 mil empregos (entre diretos e indiretos) e centenas de empresas foram prejudicadas, gerando um prejuízo de R$ 5 bilhões para a economia do estado, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE). 

Governador Jerônimo Rodrigues (PT-BA) ao lado dos executivos da chinesa BYD. Foto: Mario Marques/ Ascom BA

Em entrevista à Revista Nordeste, o secretário da SDE, Angelo Almeida, afirmou que, sem dúvida, a vinda da BYD – “Build Your Dreams” – para a produção de carros elétricos, no polo de Camaçari minimiza os efeitos causados pela saída da Ford do Estado, mesmo que leve um tempo para a recuperação de toda a cadeia produtiva envolvida, trabalhadores, indústrias e comércio locais, prestadores de serviços, fornecedores, entre outros.

Quem é a gigante BYD

A chinesa BYD é considerada a maior detentora de tecnologia automotiva para carros elétricos, além de ser, hoje, a principal concorrente da Tesla, de Elon Musk. Se os investimentos anunciados de R$ 3 bilhões ocorrerem, será na Bahia, onde funcionava a fábrica da Ford, a primeira planta industrial do conglomerado nas Américas. 

Nos planos, segundo informou a CEO para as Américas, Stella Li, em discurso durante o anúncio em Salvador, no dia 4 de julho passado, é tornar a Bahia um centro da inovação e de alta tecnologia, além de criar um modelo avançado de carro elétrico a partir de uma das três unidades previstas. 

“Nós vamos transformar a Bahia no centro da América Latina”, prometeu Stella Li, durante o anúncio, em evento realizado no Farol da Barra, na capital baiana. O projeto prevê a instalação de três unidades fabris para a produção de veículos elétricos e híbridos, chassis de ônibus, caminhões elétricos e processar lítio e ferro fosfato para o mercado externo. 

Com o investimento anunciado de R$ 3 bilhões, e a geração de 5 mil empregos diretos e indiretos, a gigante chinesa quer produzir 150 veículos ao ano, com capacidade para chegar a 300 mil.

Vamos produzir ônibus, carros e caminhões elétricos, para que todos os veículos de passageiros tenham acessibilidade a essa tecnologia verde”. A expectativa é iniciar a produção no segundo semestre de 2024.

Sustentabilidade

Angelo Almeida, secretário da SDE-BA no lançamento da BYD. Foto:Feijão Almeida /GOV BA

Para o secretário da SDE-BA, Angelo Almeida, além dos recursos a serem investidos e a geração de empregos diretos e indiretos, a Bahia virá a ser o celeiro de produção de carros elétricos, caminhões e ônibus com tecnologia verde e vai agregar e atrair capital sustentável  

Como exemplo mais recente, a também indústria chinesa de pás eólicas, a Cinoma, tem previsão de iniciar operação no segundo semestre de 2023, com geração de 500 empregos diretos e investimentos de R$ 200 milhões.

“O fato de estarmos contribuindo com uma compliance ambiental e alinhados ao que o mundo precisa, de atrair investimentos em consonância com as mudanças climáticas, nos ajuda muito para atrair quaisquer tipos de empresas com tais conceitos e responsabilidade”, avalia o secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia.

A construção do projeto

Ele destaca também que a construção do projeto da BYD na Bahia começou desde a saída da Ford, quando o então governador Rui Costa (PT), agora ministro da Casa Civil do governo Lula, esteve na China visitando o conglomerado chinês. 

“Apesar da montadora ser um grupo privado, a escolha da Bahia se deu muito pelas tratativas políticas iniciadas pelo ex-governador e que tiveram continuidade com o atual governador Jerônimo Rodrigues, quando estivemos em missão liderada pelo presidente Lula. A oportunidade de diálogo ‘olho no olho’ foi fundamental”, opina Almeida. Em abril deste ano, o governador Jerônimo Rodrigues visitou as unidades industriais da BYD nas cidades de Hangzhou e Shenzhen, na China. 

Benefícios

Para a instalação das três unidades industriais no polo de Camaçari, o grupo chinês terá a contrapartida de benefícios estaduais com base na Lei nº 7.537/99 que institui o Programa Especial de Incentivo ao Setor Automotivo da Bahia (Proauto), e na Lei nº 7.980/2001 e Decreto n.º 8.205/2002, estaduais, que institui o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica (Desenvolve).

“Os incentivos concedidos também se propagam para a população baiana que terá isenção de IPVA para os carros elétricos produzidos na Bahia, que circularem no Estado”, disse o secretário. A previsão é de que o primeiro volume de produção possa ocorrer no segundo semestre de 2024, com o modelo Dolphin.

Além dos mais de 5 mil empregos, a BYD promoverá treinamento e capacitação de mão de obra especializada, prioritariamente local, que será aproveitada no processo fabril. “Tivemos um entendimento de fazermos um intercâmbio de capacitação e troca de experiências”, acrescenta. Na China, dos 70 mil colaboradores do grupo, 10% são engenheiros de ponta na tecnologia de veículos elétricos. 

Unidades fabris

O complexo de Camaçari, a 50km de Salvador, será composto por três células fabris. Uma unidade dedicada à produção de caminhões elétricos e chassis para ônibus, com possibilidade de abastecer o mercado das regiões Norte e Nordeste do Brasil. 

A outra fábrica será dedicada à produção de automóveis híbridos e elétricos, com capacidade estimada em 150 mil unidades ao ano. Nas fases seguintes, a capacidade poderá ser ampliada para chegar até 300 mil unidades por ano.

Já a terceira fábrica, será voltada ao processamento de lítio e ferro fosfato, para atender ao mercado externo, utilizando-se da estrutura portuária existente no local. O novo complexo da BYD será um polo de atração de fornecedores de diversos tipos, seja na área de peças técnicas ou de serviços. A empresa pretende contribuir para o desenvolvimento regional, e se comprometeu, segundo o secretário, de contratar fornecedores locais.

 

*Conteúdo especial elaborado para edição 198, da Revista Nordeste, em julho de 2023, pela editora do EJ, Luciana Leão

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Luciana Leão

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