E se Shakespeare voltasse à vida? Novo romance de Paulo Roberto Cannizzaro “Além de Feitiços e Paixões, o outro lado da vida” será lançado dia 12

Por Luciana Leão

No romance Além de feitiços e paixões, o outro lado da vida, o dramaturgo inglês é “ressuscitado” em plena contemporaneidade — cercado por Otelo, Desdêmona e as bruxas — para revisitar suas paixões, dilemas e contradições humanas.

Escrito pelo consultor e escritor Paulo Roberto Cannizzaro, o livro propõe um encontro entre o eterno e o presente, humanizando a lenda que transformou o teatro e a literatura para sempre.

“Quis descer o grande Shakespeare do pedestal — mostrar o homem por trás do mito”, diz o autor.

O EJ entrevistou o autor, com exclusividade:

EJ-Por que escrever um livro sobre Shakespeare?

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Paulo Roberto Cannizzaro – Tive vários estímulos. Primeiro Conectar o Eterno ao Contemporâneo. As obras de Shakespeare são atemporais, abordando temas universais como amor, traição, ambição, poder, luto e a complexidade da alma humana. Ao explorar a vida do homem por trás da obra, pode-se entender melhor de onde vinham essas inspirações e como ele as transformou em arte. Isso ressoa profundamente com as questões que enfrentamos hoje. Escrever um romance foi uma forma de humanizar o ícone. Shakespeare é frequentemente visto como uma figura mítica.

Desci do pedestal o grande bardo e apresentei ele sendo um homem de carne e osso, com suas dúvidas, paixões, alegrias, tristezas e contradições. Foi a forma de torná-lo mais acessível e relacionável para o leitor moderno. De alguma forma preenchi algumas lacunas da sua vida. O romance me permitiu uma liberdade criativa para imaginar os bastidores, os sentimentos, os diálogos e os relacionamentos que moldaram o homem e o artista. Não se trata de reescrever a história, mas de interpretá-la e dar vida a ela de uma maneira que a não-ficção não consegue.

Explorei o contexto histórico da era elisabetana, foi um período de efervescência cultural, política e social. Através da vida de Shakespeare, podemos mergulhar nesse mundo vibrante, compreendendo melhor as tensões, as esperanças de uma época e como eles se refletem nas suas peças. Em resumo, escrever sobre Shakespeare foi uma forma de reafirmar a sua relevância contínua, de celebrá-lo de uma maneira nova e íntima, e de convidar os leitores a uma jornada emocional e intelectual que transcende o tempo.

EJ- O senhor  teve oportunidade de ver peças de Shakespeare, ou foi somente através de livros?

CANNIZZARO – Li, vi filmes, e principalmente montagens das principais peças de Shakespeare ao longo dos anos, e cada experiência foi fundamental para aprofundar minha compreensão do homem e de sua obra. Ver as peças encenadas é algo completamente diferente de apenas lê-las. É no palco que a magia acontece, que as palavras ganham corpo, voz e emoção, e que a genialidade dramática de Shakespeare se revela em toda a sua plenitude.

Lembro-me da encenação de Hamlet, de Otelo, da Megera Domada, Macbeth, de Otelo, Rei Lear, e tudo me fez enxergar a angústia dos personagens de uma forma muito mais visceral do que eu havia imaginado ao ler o texto. Ou a energia contagiante de Sonho de uma Noite de Verão, que me transportou para aquele universo fantástico.

Essas experiências não apenas alimentaram minha paixão, mas também me deram insights cruciais sobre como Shakespeare construía seus personagens e orquestrava suas narrativas. Ao escrever o romance, essas vivências foram uma bússola. Elas me ajudaram a imaginar como seria para o próprio Shakespeare ver suas palavras ganhando vida, a sentir o pulso do público e a entender a dimensão performática de sua arte. Acredito que isso trouxe uma camada de autenticidade e emoção à minha representação dele e do seu mundo.

EJ-Já soube que você ressuscitou Shakespeare no seu romance, e alguns personagens dele voltaram a vida contemporânea, que mistério foi esse?

CANNIZZARO- Acho que meu livro tem uma história incrível. Nele, de fato, Shakespeare voltou ao mundo dos vivos, saiu do mundo dos mortos, e veio ver como está a vida contemporânea. Trouxe de volta as bruxas, e dois personagens que sou apaixonado por eles. Otelo e Desdemona. Mostrei a alguns professores que são apaixonados pela Obra de Shakespeare, até muito mais do que eu, e eles adoraram, então leiam meu livro, vão se surpreender. A ideia era que, ao fechar o livro, o leitor tivesse a sensação de ter conhecido um homem, não apenas uma lenda.

EJ- O senhor falou ainda agora em Desdemona e Otelo, eles são seus personagens preferidos?

CANNIZZARO- Essa é uma ótima pergunta e difícil de responder, pois Shakespeare nos presenteou com uma galeria de personagens tão ricos! Desdemona e Otelo, em particular, representam uma tragédia humana de proporções épicas, onde o amor puro é corroído pelo ciúme e pela manipulação. A inocência de Desdemona e a honra corrompida de Otelo são temas que me fascinam pela sua atemporalidade e pela forma brutal como expõem a fragilidade da condição humana.

No meu livro, ao tentar capturar a essência de Shakespeare, imaginei como ele, o criador, se via refletido nesses personagens, ou como as tensões de sua própria vida ou da sociedade da época poderiam ter dado origem a figuras tão intensas e com destinos tão dramáticos. É quase impossível escolher apenas um ou dois personagens favoritos do vasto universo de Shakespeare!

Cada um deles, Hamlet, Lady Macbeth, Pórcia de Romeu e Julieta a Falstaff, oferece uma janela para a alma humana em suas múltiplas facetas. Desdemona e Otelo, sem dúvida, são exemplos primorosos da capacidade de Shakespeare de construir complexidade e drama psicológico. Mas o que mais me atrai, talvez, é a sua habilidade em criar personagens tão diversos e tão humanos, que continuam a nos provocar e a nos fazer refletir sobre nós mesmos, séculos depois. No meu romance, procurei entender como essa incrível capacidade de observação e criação se desenvolveu no próprio Shakespeare, e como as pessoas e os eventos de sua vida podem ter inspirado a riqueza de seu elenco de personagens.

EJ- Qual a importância de Skakespeare para a experiência humana?

CANNIZZARO – Ele literalmente divide a história, inventa a modernidade, e faz esquecer a idade média. Esse homem fez a exploração profunda da condição humana, mergulhou nas profundezas da psicologia humana como poucos antes ou depois dele. Seus personagens, sejam reis, camponeses, amantes ou assassinos, são complexos, multifacetados e cheios de contradições, refletindo a realidade da natureza humana.

Conduziu uma contribuição Inigualável à Língua Inglesa. Ele é amplamente creditado por ter cunhado milhares de palavras e frases que usamos até hoje. Ele expandiu o vocabulário e a expressividade do inglês de maneira extraordinária, com expressões como “all that glitters is not gold” (nem tudo que reluz é ouro), “to be or not to be” (ser ou não ser), “wild-goose chase” (caça inútil) e muitas outras que se tornaram parte integrante do idioma. Sua linguagem é rica, poética e inovadora.

Shakespeare elevou o teatro a novas alturas, ele é o maior documentário ocidental introduzindo personagens com profundidade psicológica sem precedentes, tramas intricadas e uma combinação magistral de comédia e tragédia. Ele influenciou inúmeros escritores, dramaturgos e artistas, estabelecendo padrões para a narrativa dramática e literária que são estudados e imitados até hoje.

Ele tem uma capacidade de reflexão e crítica social riquíssima. Ofereceu um espelho para a sociedade de sua época, criticando as estruturas de poder, as injustiças sociais, a hipocrisia e as falhas humanas, algo que ainda podemos aplicar e debater nos dias de hoje. Em suma, a importância mais elevada de Shakespeare reside em sua habilidade de ser um cronista intemporal da alma humana e um arquiteto fundamental da literatura e da língua, cujo legado continua a enriquecer e a desafiar nossa compreensão do mundo e de nós mesmos. Ele não apenas escreveu histórias, mas nos deu lentes através das quais podemos ver e entender melhor a nós mesmos e aos outros.

 

SERVIÇO                                                                                                         

Quando: 12 de novembro de 2025                                                                      

Horário: A partir daslivro 18h                                                            

Onde: Cannizzaro & Associados                                  

Rua Januário Barbosa, 266, Madalena, Recife (PE)                                          

Editora Ipê das Letras                                                                                 

Confirme sua presença : (81) 98211-3790

 

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Redacao EJ

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