O Mangue nosso de cada dia

*Ana Lúcia Carneiro Leão

 

A cidade do Recife carrega em seu nome as letras fortes dos arrecifes. Em seu corpo correm vasos, veias e artérias do rio nosso de cada dia…o Capibaribe. O Capibaribe, cantado, declamado, fotografado, pintado, esculpido, batido, interrompido, lapidado, pintado, desenhado e abraçado por tantos e por toda gente de cá e de muitos acolás.

Em sua margem caem folhas, raízes, arbustos e troncos, extensos e frondosos que protege, que alimenta, que sustenta, o manguezal que reproduz, que multiplica, que cuida das muitas vidas que ele abraça. O MANGUE que equilibra, o mangue que faz crescer, que faz acontecer o viver! O MANGUE que transita entre a terra e o mar. O Mangue que produz a BIO. A biodiversidade.

As árvores dos manguezais em seu majestoso balanço adentram pelos ares e céus e se enfiam pelos solos lamacentos traçando curvas e túneis onde respiram muitos de nossas conhecidas e deliciosas iguarias…ostras, xiés, sururu, unha de velho, caranguejos, o caranguejo uçá, o guaiamum, peixes e mais peixes, aves e pássaros que gorjeiam, voam e cantam por suas entranhas e igarapés. O manguezal é também um reciclador biológico, ele faz a ciclagem de muitos nutrientes.

O MANGUE é a base de uma enorme cadeia alimentar marinha. Ele acolhe em suas entranhas muitas espécies de peixes, mamíferos, crustáceos que vem do mar para se acasalar, reproduzir. É também chamado como o “berçário” do mar. O MANGUE nosso de cada dia é filtrador, ele também ajuda a despoluir e melhorar a qualidade das águas.

Mas, o MANGUE nosso de cada dia pede SOCORRO. O sustento de muitas famílias e a cadeia produtiva da pesca artesanal está comprometida pela grave poluição dos estuários provocada pelas indústrias que lançam resíduos e efluentes sem o tratamento adequado. O acúmulo de resíduos sólidos, do lixo nos manguezais causam feridas e maus tratos ao nosso mangue de cada dia.

 

Esgotos são lançados ao rio e chegam aos manguezais comprometendo a reprodução e multiplicação da fauna marinha e estuarina. A ocupação desordenada da área costeira é um outro fator de impacto que desequilibra o ecossistema do manguezal. Construções residenciais, aterros, desmatamento e degradação da vegetação do mangue são feridas que podem não cicatrizar. A pesca predatória, o uso de rede de malha fina são outros exemplos de maus tratos.

A erosão do solo, furacões, tsunamis e tempestades com alto poder de destruição são tragédias naturais que podem ser mitigadas, com a presença da vegetação da mata atlântica e seus ecossistemas associados (Apicum, restinga e manguezais). Como membros naturais do ecossistema estuarino, os MANGUEZAIS ajudam a mitigar os efeitos ambientais adversos da atividade humana e da poluição.

As árvores dos manguezais encontradas no litoral brasileiro são: mangue vermelho, mangue de botão, mangue branco e mangue preto. Para fechar a argumentação do ponto de vista da economia circular, os mangues são responsáveis por cerca de 95% de todo o alimento que o ser humano extrai do mar, o que deflagra, ainda mais, a importância da conservação do mangue nosso de cada dia.

Conheça as leis de Proteção Legal dos Manguezais

>Constituição Federal de 1988, artigo 225.

>Lei Federal nº 9.605/98, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.

>Código Florestal – Lei nº 4.771/1965.

> Lei Federal Nº 7.661/98, que institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro.

>Lei Estadual nº 9.931/1986 – Proteção das Áreas Estuarinas.

>Resolução CONAMA nº 04/1985.

>Decreto Federal nº 750/93, que dispõe sobre o corte, a exploração, a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração daMata Atlântica. (Fonte GERCO/PE).

Como verificam, apesar de existirem leis de proteção aos manguezais, é preciso estar atento e forte e intensificar o processo de educação para a sustentabilidade. Para todos os setores da sociedade.

O Mangue é nosso. Pratique e multiplique!

Leia mais sobre temas abordados em colunas anteriores:

https://escritoriodejornalismo.com.br/meio-ambiente-e-saneamento-rupturas-reais-do-que-deve-ser-juntos-e-misturados-ana-lucia-carneiro-leao/

 

 

*Ana Lúcia Carneiro Leão é bióloga,

com MSC Estudos Ambientais

e especialista em Educação Ambiental

 

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