Justiça do Pará vai investigar ex-ministra Damares Alves

Revista Consultor Jurídico

A ex-ministra e senadora eleita Damares Alves foi desmentida nesta quinta-feira (13/10) pelo Ministério Público Federal do Pará. O órgão, que é responsável por todos os casos de tráfico internacional de pessoas, afirmou em nota que, entre 2006 e 2015, foram instaurados três inquéritos civis e um policial a partir de denúncias de tráfico de crianças em Marajó. Nenhuma das denúncias mencionou “nada semelhante às torturas citadas pela ex-ministra Damares Alves”.

Damares afirmou, durante um culto, que crianças do Marajó são traficadas para o exterior e submetidas a mutilações e regimes alimentares extremos para viabilizar abuso sexual. Ela afirmou, ainda, que “explodiu o número de estupros de recém-nascidos”, e que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos tem registros de crianças de oito dias de vida sendo estupradas.

O Ministério Público do Pará (MP-PA), que atua no âmbito estadual, também já tinha divulgado nota na quarta-feira (12/10) informando que não tinha recebido qualquer denúncia formal ou prova dos relatos da ex-ministra.

Membros do Ministério Público Federal, do Ministério Público estadual e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PDFC) já pediram ao Ministério da Mulher que apresente os supostos casos descobertos pelo ministério, indicando todos os detalhes para que sejam tomadas providências. Até a tarde de quinta, o MPF não tinha recebido nenhuma resposta.

Outra versão 

Depois de ser confrontada com a completa ausência de provas sobre as alegações feitas, Damares mudou novamente a versão e agora disse à Folha de S.Paulo que os casos constam de um inquérito sigiloso.

“Eu vou pagar o preço por muito tempo ainda de acharem que eu menti, mas é para preservar as investigações. Aguardem”, ameaçou.

Antes disso, ela tinha alegado que as denúncias constavam de relatórios de CPIs já encerradas; de relatos feitos à ouvidoria do Ministério; e, posteriormente, que tratava-se de comentários de pessoas de Marajó com as quais ela conversou “na rua”.

*Notícia originalmente publicada na Revista Consultor Jurídico 

 

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Redacao EJ

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