Justiça decreta prisão de suspeito no desaparecimento de indigenista recifense e jornalista britânico

Após a Justiça decretar na noite de quinta-feira (9), a prisão temporária por 30 dias corridos de Amarildo da Costa de Oliveira, 41 anos, conhecido como “Pelado”, preso em flagrante na última terça-feira (7) pela Polícia Federal e suspeito de estar envolvido no desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista pernambucano Bruno Pereira, a PF encontrou vestígios de sangue em sua embarcação.

Nesta sexta-feira (10), ao atualizar as informações das buscas, a Polícia Federal informou que o material orgânico encontrado é aparentemente humano. O material genético foi encaminhado para análise pericial ao Instituto Nacional de Criminalística da PF.  As equipes localizaram a embarcação no rio Itacoaí, próximo ao porto de Atalaia do Norte.

Análise genética

Segundo a polícia, houve a coleta de materiais genéticos junto aos familiares do jornalista britânico Dom Phillips na cidade de Salvador, e do indigenista Bruno Pereira no Recife. “Os materiais coletados serão utilizados na análise comparativa com o sangue encontrado na embarcação”, disse nota da PF.

Como a agência Amazônia Real adiantou com exclusividade, na manhã de 4 de junho “Pelado” e mais dois homens não identificados ameaçaram Bruno Pereira, Dom Philips e mais nove homens da equipe de Vigilância Indígena da Univaja (EVU) durante uma operação de fiscalização no rio Ituí, região da Terra Indígena (TI) Vale do Javari. Recorrente nas ameaças, uma fonte denunciou:

“O Pelado é um dos caras mais perigosos da região do Ituí. Já deu vários tiros na base e já trocamos tiros com ele. O Pelado é peça fundamental nesse quebra-cabeça, não pode ser solto”, afirmou a fonte da Amazônia Real, que diz que “Pelado” tem envolvimento com o tráfico de drogas.

“Pelado” foi preso em flagrante por porte de munição restrita na terça-feira (7) e negou envolvimento no desaparecimento do jornalista e do indigenista. No entanto, a lancha que ele usava foi apreendida. “Pelado” cumpre a prisão na Delegacia da Polícia Civil de Tabatinga.

A decisão foi tomada pela juíza plantonista Jacinta Santos durante a audiência de custódia de Oliveira realizada na Comarca de Atalaia do Norte (AM). O processo segue em segredo de justiça. Oliveira foi preso durante uma abordagem por posse de drogas e munição calibre 762, de uso restrito. Ele também estava portando armamento de caça.

Phillips, que é colaborador do jornal britânico The Guardian, e Pereira, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), foram vistos pela última vez na manhã de domingo (5), na região da reserva indígena do Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares. Eles se deslocavam da comunidade ribeirinha de São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), quando sumiram sem deixar vestígios.

O indigenista pernambucano, natural do Recife, já havia denunciado que estaria sofrendo ameaças na região, informação confirmada pela PF, que abriu procedimento investigativo sobre essa denúncia. Bruno Pereira estava atuando como colaborador da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), uma entidade mantida pelos próprios indígenas da região.

O Vale do Javari concentra 26 etnias indígenas, a maioria com índios isolados ou de contato recente. Além disso, fica na fronteira com o Peru e é rota de circulação do tráfico internacional de drogas. É uma região considerada perigosa pelas autoridades.

*Com informações da Agência Amazônia Real

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Redacao EJ

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