Exportação de manga e uva reduz nos últimos nove meses no Vale do São Francisco

As principais frutas do Vale do São Francisco, a manga e a uva sofreram uma redução de -38,85% no volume exportado, nos últimos 9 meses, em comparação com o mesmo período do ano passado. Esses dados foram divulgados pela Embrapa Semiárido- Observatório de Uva.

De acordo com o economista João Ricardo Lima, da Embrapa Semiárido- Observatório Mercado de Uva a diminuição ocorreu por vários fatores, entre os quais, destacam-se as chuvas que impactaram na quantidade e qualidade produzida.

Economista João Ricardo Lima, professor da Facape, em Petrolina. Foto: Arquivo JS

“Nos dois casos,  registrou-se um volume exportado em 2022 muito menor do que em 2021. Além disso, os problemas com a qualidade da nossa fruta, os fretes marítimos estão muito caros e escassos”, acrescentou o especialista.

Contexto

O economista cita a situação geopolítica na Europa, principal compradora das frutas produzidas no Vale do São Francisco. “O continente está passando por uma forte crise, com guerras entre Rússia e Ucrânia, seca e inflação elevada”, pontuou.

Dessa maneira, segundo o economista, tem um conjunto de fatores que faz com que as exportações em 2022 não consigam repetir o desempenho de 2021, quando a região contribuiu para a marca histórica de 1 bilhão de dólares em exportação de frutas.

Dados

Segundo relatório produzido pela Embrapa Semiárido-Observatório Mercado de Uva as exportações de uva do Brasil em setembro de 2022, foram comparadas com a média de cada mês dos últimos 6 anos, mínimo para cada mês e máximo.

Em relação aos volumes, em setembro de 2022 foram de 2.279 toneladas. A média histórica (até 2019, antes da pandemia) para este mês é de 3.888 t.

Em setembro de 2020 foram exportadas 3.382 t e, em setembro de 2021, foram 1.993 t. “Ou seja, houve uma redução de 32,61% em relação a 2020 e um aumento de 14,35% na comparação com o mesmo período de 2021”, explica João Ricardo.

“Nos nove meses de 2022 registra-se uma redução de -38,85% no volume exportado em comparação com o mesmo período do ano passado”.

Em termos dos valores das exportações, em setembro de 2022 foram cerca de 5 milhões de dólares (US$). A média histórica (até 2019, antes da pandemia), segundo a Embrapa Semiárido, para este mês é de aproximadamente US$ 8,3 milhões.

Em setembro de 2020 foram gerados US$ 7,4 milhões em receitas e, em setembro de 2021, um total de US$ 4,1 milhões.

Os principais destinos nos nove meses do ano foram a Holanda (26,70%), o Reino Unido (26,16%) e os Estados Unidos (19,56%). A principal via de envio das frutas foi a marítima (80%) e os principais estados de origem da uva foram Pernambuco (60%) e Bahia (34,62%).

Em setembro, cerca de 21,7 toneladas foram importadas do Peru. Também houve importação de uva do Egito. Vale lembrar, acrescenta o economista, que a taxa de câmbio esperada pelo mercado para o final do ano é de R$5,20 para 1 dólar.

*Matéria publicada pela autora originalmente no Jornal do Sertão

Foto destaque: Reprodução JS

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Luciana Leão

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