Desigualdades bloqueiam fim da pandemia de Aids, diz ONU

Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids aponta que questão de gênero coloca mulheres em maior risco de contrair vírus; desigualdade no acesso ao tratamento e leis repressivas também atrasam redução de casos; em 2021, 650 mil pessoas morreram da doença; agência cita 1,5 milhão de novos casos.

Nesta quinta-feira (1/12) é o Dia Mundial de Combate à Aids. Novo relatório publicado pela ONU afirma que as desigualdades estão atrasando o fim da pandemia. Com as tendências atuais, o mundo não deve atingir as metas para erradicar a doença.

Apesar disso, o novo estudo publicado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Desigualdades Perigosas mostra que com a implementação de ações urgentes para combater essas diferenças, a resposta à Aids pode voltar aos trilhos.

Desigualdade e normas de gênero reduzem progresso

O relatório aponta como as desigualdades e normas de gênero são prejudiciais. O documento expõe como o agravamento das restrições financeiras está tornando mais difícil lidar com essas desigualdades.

Para a diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, o mundo não será capaz de derrotar a doença enquanto reforça o patriarcado.

Para ela, desigualdades precisam ser enfrentadas. Em áreas de alta incidência de HIV, as mulheres que sofrem violência por parceiro íntimo têm 50% mais chance de contrair o HIV.

Prosperidade compartilhada e roteiro feminista

Winnie Byanyima adiciona que em 33 países, de 2015 a 2021, apenas 41% das mulheres casadas, de 15 a 24 anos, tomavam suas próprias decisões sobre saúde sexual.

O único roteiro eficaz para acabar com a Aids, alcançar as metas de desenvolvimento sustentável e garantir saúde, direitos e prosperidade compartilhada é um roteiro feminista.

A diretora executiva afirma que organizações e movimentos de direitos das mulheres já estão na linha de frente fazendo esse trabalho, mas precisam de apoio.

África Subsaariana

Segundo o levantamento, os efeitos das desigualdades de gênero nos riscos de HIV das mulheres são especialmente pronunciados na África Subsaariana, onde as mulheres representaram 63% das novas infecções por HIV em 2021.

Meninas adolescentes e mulheres jovens, de 15 a 24 anos, têm três vezes mais chances de adquirir o HIV do que meninos adolescentes e homens jovens da mesma faixa etária na África Subsaariana.

O Unaids cita um estudo que mostra que permitir que as meninas permaneçam na escola até concluírem o ensino médio reduz sua vulnerabilidade à infecção pelo HIV em até 50%. Quando isso é reforçado com um pacote de apoio ao empoderamento, os riscos das meninas são reduzidos ainda mais.

Assim, a agência recomenda que líderes garantam que todas as meninas estejam na escola, sejam protegidas da violência, inclusive por meio de casamentos de menores de idade, e tenham caminhos econômicos que garantam a elas um futuro promissor.

Tratamento entre homens

Segundo o estudo, as “masculinidades nocivas” estão desencorajando os homens de procurar cuidados. Enquanto 80% das mulheres vivendo com HIV tiveram acesso ao tratamento no ano passado, apenas 70% dos homens estavam em tratamento.

Além disso, o relatório mostra que a resposta à Aids também está sendo retardada por desigualdades no acesso ao tratamento entre adultos e crianças. Enquanto mais de três quartos dos adultos vivendo com HIV estão em terapia antirretroviral, pouco mais da metade das crianças vivendo com HIV estão tomando medicamentos.

Em 2021, as crianças representavam apenas 4% de todas as pessoas vivendo com HIV, mas 15% de todas as mortes relacionadas à Aids.

Populações-chave

As novas análises não mostram declínio significativo em novas infecções entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens nas regiões da África Ocidental e Central e na África Oriental e Austral.

O Unaids alerta que, diante de um vírus infeccioso, o fracasso em fazer progressos em populações-chave prejudica toda a resposta à Aids e ajuda a explicar a desaceleração do progresso.

Além disso, a agência destaca que em todo o mundo, mais de 68 países ainda criminalizam as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.

Outra análise destacada no relatório constatou que gays e outros homens que fazem sexo com homens que vivem em países africanos com as leis mais repressivas têm três vezes menos probabilidade de saber seu status de HIV do que seus colegas que vivem em países com as leis menos repressivas. leis, onde o progresso é muito mais rápido.

Profissionais do sexo que vivem em países onde o trabalho sexual é criminalizado têm sete vezes mais chances de viver com HIV do que em países onde o trabalho sexual é legal ou parcialmente legalizado.

Financiamento

De acordo com o Unaids, novos investimentos para lidar com as desigualdades relacionadas ao HIV são urgentemente necessários.

No momento em que a solidariedade internacional e uma onda de financiamento são mais necessárias, muitos países de alta renda estão cortando a ajuda para a saúde global.

Em 2021, o financiamento disponível para programas de HIV em países de baixa e média renda era de US$ 8 bilhões. O Unaids destaca que aumentar o apoio dos doadores é vital para colocar a resposta à Aids de volta nos trilhos.

Os orçamentos precisam priorizar a saúde e o bem-estar de todas as pessoas, especialmente as populações vulneráveis ​​que são mais afetadas pelas desigualdades relacionadas ao HIV.

O espaço fiscal para investimentos em saúde em países de baixa e média renda precisa ser ampliado, inclusive por meio do cancelamento substancial da dívida e da tributação progressiva.

Na avaliação do Unaids, “acabar com a Aids é muito menos caro do que não acabar”.

Em 2021, 650 mil pessoas morreram devido à doença e 1,5 milhão de pessoas foram contaminadas com o HIV.

 

Fonte: ONU NEWS

Foto destaque: Unicef/Frank Dejongh

 

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Redacao EJ

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