Pesquisa aponta que 33% dos brasileiros não sabem o que é lixo eletrônico

Uma pesquisa divulgada pela Green Eletron, gestora sem fins lucrativos de logística reversa de eletroeletrônicos e pilhas, mostra que 33% dos brasileiros acreditam que o lixo eletrônico seja algo digital, como e-mails, spam, fotos ou arquivos.

Para outros 42% dos brasileiros o lixo eletrônico são aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos quebrados e 3% acreditam que são todos os aparelhos que já foram descartados, inclusive aqueles que acabam sendo destinados de forma incorreta em aterros ou na natureza.

Outros 10% relacionam aos resíduos/restos/sucatas que sobram após o descarte dos aparelhos eletrônicos (algo que não se recicla), 5% dizem que são os componentes desses aparelhos e 7% não sabem o que é.

Menor nível de conhecimento

No Brasil, as cidades do interior de São Paulo, a capital do Rio de Janeiro e Fortaleza são os locais com o menor nível de conhecimento sobre o que realmente são os resíduos eletrônicos. Florianópolis, Joinville e Distrito Federal são os locais do país com maior nível de conscientização sobre o termo.

A pesquisa mostrou ainda que 87% da população guarda algum tipo de eletroeletrônico sem utilidade em casa por mais de 2 meses e 25% nunca levou seus resíduos eletrônicos até um ponto de coleta, ou PEV (Ponto de Entrega Voluntária).

Acesse a pesquisa completa aqui.

Outro indicador apontou também que quanto mais próximos os PEVs estão do consumidor, maior será a frequência do descarte. Somente 13% dos entrevistados não guardam nenhum dos itens considerados lixo eletrônico em casa. Entre os que guardam, 31% mantêm os itens há mais de um ano.

Os produtos mais descartados são pilhas e eletroeletrônicos de pequeno porte, que também são os que ficam guardados em gavetas por mais tempo. Eletroeletrônicos grandes e que ocupam mais espaço tendem a ficar menos de um mês nas residências.

Sobre o descarte inadequado, 16% descartam com certa frequência algum eletroeletrônico no lixo comum. Esse tipo de descarte não permite a reciclagem das matérias-primas presentes nos aparelhos.

Recife e RMR

No Recife, a ReeCicle é uma das organizações que faz esse tipo de trabalho de coletar de forma gratuita e remanufaturar equipamentos que ainda podem ser usados, inclusive para empresas, escolas e jovens que não têm acesso .

“O resíduo eletrônico é um grande problema para o planeta e necessita de uma solução. Nossa proposta é gerar alternativa para o descarte eletroeletrônico”, pontua Sávio França, diretor presidente e idealizador do ReeCicle. Pelo menos  380 instituições em todo o Nordeste já receberam equipamentos remanufaturados pela ReeCicle e mais de 380 mil pessoas beneficiadas.

O que é lixo eletrônico?

Brasil é o quinto maior produtor de lixo eletrônico. Foto: MMA

O lixo eletrônico é todo objeto que possui um circuito elétrico dentro, seja esse circuito composto por uma fiação que vai ligar um motor ou, em casos mais complexos, aquele que possui placa eletrônica para tomada de decisão, que seria geladeira, freezer ou máquina de lavar.

O lixo eletrônico pode ser separado por classes, como explica o especialista em meio ambiente Charles Dayler. “Seriam os grandes equipamentos, por exemplo, uma geladeira é um lixo eletrônico. Mas de forma alguma o lixo eletrônico vai se restringir a pilha e bateria, ele vai muito além disso. Praticamente todos os lares modernos já possuem vários equipamentos eletrônicos em casa como celulares, televisores, caixinhas de som bluetooth e por aí vai. Então tudo isso é lixo eletrônico.”

Decreto Federal

Sistema de logística reversa já está implantado no País. Foto: Internet Reprodução

Desde 2020, existe a implementação, estruturação e a operacionalização do sistema de logística reversa de produtos eletroeletrônicos que faz parte do Decreto Federal n° 10.240/2020.

No ano de 2020, o decreto estabeleceu a estruturação do sistema com ações relacionadas ao planejamento, para que em 2021 o dispositivo começasse a valer por metas quantitativas.

Enquanto em 2019 foram recolhidas pouco mais de 16 toneladas lixo eletrônico no país, em 2020 esse número passou para 105 toneladas e, em 2021, mais de 1,2 mil toneladas de lixo eletrônico foram recolhidos e deixaram de ser descartados no meio ambiente.

O Brasil , segundo The Global E-waste Monitor 2020, é o quinto país que produz maior quantidade de lixo eletrônico do mundo. Estados Unidos, China e Índia lideravam o ranking. Estudo é realizado a cada três anos pela Universidade das Nações Unidas em parceria com várias outras instituições.

*Com informações da ReeCicle, Brasil 61 e Green Eletron

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Luciana Leão

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