Ciência, Tecnologia e Inovação para os principais desafios do Nordeste

Relatório de 98 páginas elaborado pela Câmara Temática de Ciência e Fomento do Consórcio Nordeste, com participação de 100 pesquisadores da região, traz sugestões e recomendações sobre políticas públicas e estratégias para os governos do Nordeste divididos em sete eixos.

 

A Câmara Temática de Ciência e Fomento ao Conhecimento do Consórcio de Governadores do Nordeste finalizou um documento robusto, de 98 páginas, sob o título Ciência,Tecnologia e Inovação para os principais desafios do Nordeste. 

 

Dividido em sete eixos Energias Renováveis e Biocombustíveis; Recursos Hídricos e Pesquisas Oceânicas;Biomas, Biodiversidade e mudanças Climáticas; Universidades, Pós Graduação e Responsabilidade; Biotecnologia e Produção de Alimentos; Empregabilidade e Fixação de Talentos; Tecnologias Sociais e Combate à Pobreza, o documento tem o objetivo de subsidiar a política governamental dos nove estados da região frente às Conferências regional e nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação a serem realizadas ainda neste primeiro semestre de 2024.

 

Políticas Públicas e recomendações

 

Com participação de 100 pesquisadores da região, sugestões e recomendações sobre políticas públicas e estratégias para os governos do Nordeste foram enumeradas em cada um dos eixos com objetivo de subsidiar os governos do Nordeste para a Conferência Regional de Ciência e Tecnologia, e subsequente Conferência Nacional que acontece em junho. 

 

Vale destacar que há nove anos não são realizadas conferências regionais nem nacionais na temática de CT&I, ou seja, desde o Governo Temer. 

 

“Um grande vácuo neste período que está sendo resgatado agora, neste governo, com uma participação importante da academia, dos secretários de Ciência e Tecnologia e das Fundações de Amparo à Ciência”, ressalta o coordenador da Câmara Temática de Ciência e Fomento ao Conhecimento do Consórcio Nordeste, Fábio Guedes Gomes em entrevista à NORDESTE.

 

Esforço Coletivo 

 

Em sua apresentação, a presidente do CNE e governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, reforçou a importância do relatório, ao qual evidencia um resultado de um esforço coletivo.

 

 “O trabalho tem como objetivo central ser o “porta-voz” de parte significativa da comunidade acadêmica e científica e também de gestores de CT&I sobre alguns dos principais desafios contemporâneos para o Nordeste. Além disso, tem o propósito de subsidiar as discussões sobre a agenda a ser construída na Conferência Regional de Ciência, Tecnologia e Inovação, a qual constituirá a própria agenda nacional que será elaborada em junho próximo”, disse Fátima Bezerra.

 

O coordenador da Câmara Temática de Ciência e Fomento ao Conhecimento do Consórcio Nordeste, Fábio Guedes Gomes, relatou em sua apresentação, o reconhecimento dos nove governadores quanto ao papel da ciência e a tecnologia para enfrentar os desafios do século XXI, especialmente diante da rápida transformação tecnológica liderada pela biotecnologia e inteligência artificial.

 

Conhecimento é transversal

 

“O conhecimento é transversal e está inserido em todas as políticas públicas dos governos. A ciência tem como combater a pobreza por meio das tecnologias sociais, que pode se utilizar da Inteligência Artificial para fazer buscas ativas de onde estão os maiores desafios em relação à pobreza,  à fome”, cita o coordenador, exemplificando o eixo 7 – Tecnologias Sociais e Combate à Pobreza.

 

“O Nordeste possui uma infraestrutura significativa de ciência, tecnologia e inovação, com mais de 600 instituições de ensino superior, incluindo universidades públicas federais, institutos federais e uma ampla gama de programas de pós-graduação. Então,  precisamos reter esses talentos e fomentar um intercâmbio com aquelesque estão lá fora”, lembrando o eixo 6 , Empregabilidade e Fixação de Talentos.

 

Fábio Guedes adiantou que o Governo Federal irá lançar em breve por meio do Ministério de Ciência e Tecnologia um programa de Repatriação de Talentos, com investimento de R$ 800 milhões. “Será destinado não só para trazer aqueles que têm algum vínculo  com instituições do país,  mas também poderem contribuir com projetos em parceria com a academia”.

 

Biomas e mudanças climáticas

 

Para o coordenador, outro eixo tão importante quanto os outros é o que trata dos Biomas, Biodiversidade e Mudanças Climáticas. 

 

“No Nordeste, temos o único bioma do mundo, a Caatinga, que tem áreas em processo de desertificação. Ao mesmo tempo, também estamos inseridos em outros biomas como o Cerrado, a Mata Atlântica e principalmente a Caatinga. Então, esse relatório traz sugestões aos governos de como lidar com esses desafios climáticos; qual a consequência da desertificação para a Caatinga? Uma coisa é ser semiárido.  Mas, outra é tornar parte considerável da região um deserto”, alerta.

 

Guedes reforça a importância da  colaboração entre pesquisadores, gestores públicos e governadores do Nordeste como fundamental para o desenvolvimento da região. 

 

“A câmara temática é um espaço de diálogo e cooperação, e os resultados de suas atividades estão disponíveis para a comunidade acadêmica e científica, bem como para a sociedade em geral”, disse o coordenador. O trabalho de elaboração deu início em meados de agosto de 2023 e foi consolidado em dezembro. 

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Luciana Leão

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