Acordo de cessar-fogo na Palestina é de 96 horas

O acordo anunciado nesta quarta-feira (22) para libertar reféns mantidos em Gaza foi acolhido pelo chefe da ONU, António Guterres, mas acrescentou que “este é um passo importante na direção certa, mas muito mais precisa ser feito”. 

O coordenador especial para o Processo de Paz no Oriente Médio, Tor Wennesland, também saudou o anúncio da “pausa humanitária” de 96 horas.

Pausa humanitária

De acordo com agências de notícias, o cessar-fogo entre Israel e o Hamas deveria começar 24 horas após o seu anúncio. 

Wennesland elogiou os governos do Egito, do Qatar e dos Estados Unidos pelos esforços para “facilitar” o acordo.

Após o anúncio do cessar-fogo de quatro dias, a Organização Mundial da Saúde, OMS, emitiu novos apelos para um acesso humanitário seguro e desimpedido ao enclave. 

“Conflito sem sentido”

O diretor Regional da OMS para o Mediterrâneo Oriental, Ahmed Al-Mandhari, disse que “os combates precisam parar” de modo que a agência possa rapidamente intensificar sua resposta.

Em conversa com jornalistas no Cairo, Al-Mandhari fez um minuto de silêncio para homenagear Dima Alhaj, funcionária da OMS morta em Gaza na terça-feira, junto com muitos parentes. 

Ele enfatizou a “natureza sem sentido deste conflito” e disse que hoje em Gaza nenhum lugar é seguro para os civis, incluindo funcionários ONU. 

Perdas

A ONU estima que pelo menos 1,2 mil pessoas morreram no sul de Israel desde o os ataques do Hamas de 7 de outubro e o início de ações retaliatórias israelenses. 

Cerca de 240 foram feitas reféns. Na Faixa de Gaza, morreram 108 funcionários das Nações Unidas.

Segundo o informe mais recente da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, 14,128 pessoas foram mortas em Gaza, com base em dados das autoridades palestinas.

 A funcionária da OMS, Dima Alhaj, foi morta em Gaza ao lado do seu bebê de 6 meses, do seu marido e de 2 irmãos. Foto: OMS

Grande demanda por evacuações médicas

Nesta quarta-feira, o representante da OMS para os Territórios Palestinos, Richard Peeperkorn, revelou que em breve deverão ser evacuados pacientes e profissionais de saúde que permanecem em Al-Shifa. 

A implementação da iniciativa que envolverá parceiros humanitários, incluindo o Crescente Vermelho Palestino e os Médicos Sem Fronteiras, acontece na sequência da transferência de 31 bebês prematuros no domingo. 

No hospital com um total de 220 pacientes e 200 profissionais de saúde, a prioridade seria para 21 pessoas em tratamento de hemodiálise e outras 29 que sofreram lesões na coluna e estão em terapia intensiva.

O especialista destacou, no entanto, que a agência da ONU recebeu pedidos de evacuação de outros três outros centros hospitalares no norte de Gaza: os hospitais Al-Ahli Arab, Al-Awda e Indonésio.

A OMS e seus parceiros estão planejando atuar como parte dos esforços para “garantir que a medida aconteça nos próximos dias”. O representante esclareceu que a retirada é realizada “mediante solicitação e como último recurso”.

Entrada de combustível

A perspectiva de um cessar-fogo aumentou as esperanças de um melhor acesso aos civis de Gaza e de um aumento no volume de ajuda humanitária disponível.

De acordo com o Escritório de Assuntos Humanitários da ONU, Ocha, os caminhões de ajuda que têm entrado em Gaza desde 21 de outubro representam apenas 14% do volume mensal de transporte humanitário e comercial que chegava à região antes do início dos confrontos, com o agravante de que combustível era um item completamente proibido pelas autoridades israelenses até poucos dias.

O Ocha disse que na terça-feira (21) 63,8 mil litros de combustível entraram em Gaza vindos do Egito, na sequência de uma decisão de Israel de 18 de novembro de “permitir a entrada diária de pequenas quantidades de combustível para operações humanitárias essenciais”. 

Norte assolado pela fome

O combustível recebido está sendo distribuído pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, para apoiar a distribuição de alimentos e o funcionamento de geradores em hospitais, instalações de água e saneamento, abrigos e outros serviços essenciais.

A notícia do acordo de cessar-fogo surgiu em meio a temores de que a fome se espalhasse no norte. A região foi isolada do sul pelas operações militares israelenses. As agências humanitárias não conseguem prestar assistência desde 7 de novembro. 

Devido à falta de equipamentos para cozinhar e de combustível, “as pessoas recorrem ao consumo dos poucos vegetais crus ou frutas verdes que ainda têm à sua disposição”, destaca o Ocha.

 

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Redacao EJ

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