Black Friday: e-commerce no Nordeste esbarra em desafios logísticos

Especialista orienta sobre como a digitalização pode ajudar o varejo online da região a superar obstáculos como alto custo do frete e demora na entrega de produtos

Ainda há um grande potencial para o crescimento do e-commerce no Nordeste, já que a região tem uma população de mais de 56 milhões de habitantes e um grande número de cidades com baixa oferta de lojas físicas.

Mas a popularização do comércio eletrônico nos estados nordestinos esbarra em uma enorme barreira: o preço do frete.

Segundo uma pesquisa da Proteste – Associação Brasileira de Defesa Do Consumidor, existe uma diferença de 341% no valor pago pelo frete no Nordeste em comparação com o Sudeste.

Simulação

A pesquisa, divulgada em maio deste ano, simulou compras nos principais varejistas brasileiros com envio de mercadorias para 20 cidades em 10 estados.

Levando em conta o desempenho de eficiência na entrega e preço do frete, Sul, Sudeste e Centro-Oeste lideram o ranking de melhores regiões, seguidos de Nordeste e Norte.

Esses desafios podem frustrar a experiência de compra dos consumidores nordestinos durante a Black Friday, além de impactar os resultados dos varejistas.

Soluções

Para Waldir Bertolino, country manager da Infor para o Brasil, a digitalização pode ajudar o setor a driblar esses entraves.

Segundo ele, “durante a Black Friday e em outros momentos de ‘tsunamis digitais’ é fundamental que as empresas varejistas façam uma gestão de estoque estruturada e eficiente, por meio de soluções tecnológicas de ponta”, disse.

“Os modelos tradicionais de gestão em logística e distribuição não conseguem acompanhar mais as exigências do mercado”, avalia.

Ele sugere adotar plataformas de gestão de estoque, como o WMS, a qual as empresas passam a ter um aliado estratégico para realizar o controle do armazém de forma inteligente e eficiente.

“Nós temos visto ganhos de produtividade e redução de 5% a 25% dos custos com transporte”, afirma Bertolino.

Pressão por prazos de entregas

No contexto de Black Friday, a pressão por prazos de entregas é um fator determinante para 48% dos consumidores, conforme revela o estudo E-commerce Trends 2024, realizado em parceria entre Octadesk e Opinion Box.

A pesquisa também aponta a facilidade de compra  e a forma de pagamento (39%), a descrição detalhada do produto (31%) e a agilidade no atendimento (21%) como outros fatores que fazem a diferença para marcas que desejam se destacar da concorrência.

O ponto em comum entre todos esses aspectos é a comodidade do cliente. Isso reforça ainda mais a importância de melhorar os serviços logísticos das empresas para atender consumidores cada vez mais exigentes.

E do ponto de vista de quem gerencia o armazém, o grande desafio é não poder contar com tecnologia para fazer o controle de estoque, já que essa é a única forma de equalizar demandas e produção, evitando problemas de altos custos na cadeia de suprimentos, inventários desequilibrados e satisfação dos clientes comprometida.

Fator estratégico

No entanto, a grande mudança de mindset do mercado é que o estoque deve ser visto como um fator estratégico para os negócios das empresas de qualquer segmento, especialmente para o varejo.

“Contar com suporte da tecnologia é essencial para aumentar o controle sobre a rastreabilidade de cada item, o que no futuro se traduzirá em ganhos para a empresa, com acréscimo do ticket médio, e para consumidores, que poderão terão uma jornada de compra mais satisfatória. Por meio de soluções tecnológicas como essa, é possível reduzir custos de fullfilment em até 20% e aumentar a produtividade geral em até 40%”.

Planejamento otimizado

Outra dica crucial do Country Manager da Infor é aprimorar o planejamento da demanda.

“Com uso da IA e machine learning, é possível prever a demanda por produtos, o que ajuda os armazéns planejarem a quantidade certa de estoque, evitando excesso ou falta de inventário e podendo inclusive reduzir a carga de horas extras de colaboradores”, explica.

Além do planejamento otimizado, a tecnologia também oferece ganhos de produtividade.

“Nossa experiência mostra que o uso de IA para automação de processos logísticos reduz os tempos de processamento de pedidos, que é responsável por até 70% dos custos operacionais do armazém, em até 30%”, comenta.

Se reinventar é a chave para a sobrevivência 

As empresas devem trabalhar em sinergia para atender às necessidades dos clientes em um mercado em constante mudança. “Criar uma conexão com toda a cadeia de suprimentos representa, na prática, ligar fornecedores, parceiros e clientes em um único ecossistema que permite compartilhar informações em tempo real ao longo de toda a cadeia. Se reinventar é a palavra de ordem para a sobrevivência de qualquer empresa, principalmente do setor varejista”, afirma o executivo.

*Com informações da Infor

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Luciana Leão

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