Retomada do desenvolvimento nos transportes

Ministro Renan Filho assegura que o “Nordeste é um importante motor da economia brasileira”

 

Em recente anúncio, o Governo Federal informou que investirá R $1,7 bilhão para revitalizar e intensificar obras em rodovias e ferrovias do país, ao qual foi intitulado “Plano de 100 dias”.

Dentro desse planejamento, existem na Região Nordeste obras paralisadas, outras ainda sub judice, tanto nos modais rodoviário, como ferroviário.

Em entrevista exclusiva à Revista NORDESTE, o ministro dos Transportes Renan Calheiros Filho assegurou que os macroprojetos estruturadores da Região, como a Transnordestina, a retomada de mais de 670 km de obras nas estradas federais, assim como as BRs que cortam região de MATOPIBA, para dar dinamicidade ao escoamento de grãos naquela região estão assegurados.

Ministro dos Transportes, Renan Filho, garante viabilidade da Ferrovia do Sertão

“Os governadores do Nordeste podem estar seguros de que terão mais um aliado em Brasília. Faço questão de receber e de visitar cada um para, em conjunto, definir prioridades e construir soluções”.

 

REVISTA NORDESTE – Como o senhor pretende apoiar projetos estruturadores para a região, como a ferrovia Transnordestina, imbróglio que perdura há mais de uma década. Estaria a ferrovia, digo o trecho específico da Ferrovia do Sertão – que liga o polo de mineração do Piauí, Pernambuco ao porto de Suape – como um dos projetos fundamentais explicitados no Plano de 100 dias?

Renan Filho– O Nordeste é um importante motor da economia brasileira. Pelas estradas da região, hoje, passa boa parte da produção de grãos, frutas e manufaturados diversos rumo aos portos ou em direção aos grandes centros urbanos. Também circulam os turistas que visitam nossos atrativos e movimentam a economia dos municípios.

Ou seja, o desenvolvimento socioeconômico e o aumento da competitividade da região dependem de uma malha viária de qualidade, que seja atrativa aos investidores e traga mais segurança e conforto à população.

No caso particular das ferrovias, trata-se de uma questão crucial para a região e para o país. Ou avançamos no desenvolvimento do transporte de carga por estradas de ferro ou nossa logística estará seriamente comprometida dentro de poucas décadas.

A expansão ferroviária se dará sob a perspectiva de minimizar o tráfego das rodovias, diminuir essa sobrecarga, dar mais agilidade ao transporte e reduzir emissões. O governo do presidente Lula tem essa visão estratégica e de futuro.

Transnordestina é prioridade

Após décadas, Transnordestina ainda é um percalço a se resolver. Foto: Reprodução Internet

Nesse contexto, a Transnordestina é uma prioridade e o governo será parceiro efetivo do setor privado para desenvolvermos o modo ferroviário.

Obviamente, não conseguiremos resolver todos os entraves e gargalos em apenas 100 dias. A depender da complexidade dos projetos, até quatro anos podem ser insuficientes. Por menor que seja sua extensão, não é simples projetar uma ferrovia, que requer muitos estudos e intervenções de engenharia.

Mas tenho a confiança de que, em parceria com o setor privado, encontraremos soluções para investir e acelerar projetos como o da Ferrovia do Sertão.

De minha parte, haverá total dedicação para impulsionar o modo ferroviário, de forma geral, assim como, no caso específico, a FIOL, a Fico, as novas ferrovias privadas e, finalmente, a Ferrovia Norte-Sul, iniciada no Governo José Sarney, e que eu vou ter a honra de concluir como ministro dos Transportes do Governo Lula.

Quero fazer essa entrega ao Brasil tendo ao meu lado os dois presidentes, o que começou e o que vai finalizar as obras da ferrovia.

REVISTA NORDESTE – Dentro dos recursos destinados à melhoria da infraestrutura rodoviária e ferroviária, qual a parte que será alocada para os nove estados do Nordeste?

Renan Filho – Teremos 124 ações na região apenas nos primeiros 100 dias, entre obras de duplicação, recuperação, pavimentação, construção de viadutos. Sou um ministro nordestino em um governo de um presidente também nordestino. Minha vivência política como deputado federal e governador por duas vezes me permitiu conhecer de perto os nossos problemas e desafios.

Os governadores do Nordeste podem estar seguros de que terão mais um aliado em Brasília. Faço questão de receber e de visitar cada um para, em conjunto, definir prioridades e construir soluções.

Obras em atraso

REVISTA NORDESTE– Quais principais obras estão dentro desse planejamento? E quais prazos previstos para obras serem iniciadas e finalizadas?

Renan Filho – Até abril vamos entregar mais de 420 km de obras finalizadas em rodovias da região, incluindo pavimentação, duplicação, recuperação e sinalização de pistas. Em Pernambuco, temos, entre as ações emergenciais, importantes obras de recuperação e sinalização a serem concluídas até abril: na BR-101, na BR-316, na BR-407 e na BR-428, por exemplo. Teremos ainda o início do trabalho de recuperação de 188 km na BR-316/MA e a restauração e sinalização de 400 km da BR-222/PI, apenas para citar algumas das principais intervenções.

REVISTA NORDESTE– Em Pernambuco, existe um projeto importante como grande corredor logístico que beneficiaria a interconexão de escoamento da produção do polo automotivo de Goiana e o Porto de Suape: o Arco Metropolitano, além de desafogar as principais vias viárias da RMR interligada com os principais corredores Norte e Sul. Como o Ministério dos Transportes vai atuar em conjunto com o Governo de Pernambuco e demais atores interessados para destravar o impasse de natureza financeira, jurídica e ambiental?

Renan Filho – É um projeto antigo, importante, que vai ajudar a desafogar a BR-101. Estaremos à disposição do Governo do Estado para ajudar a buscar soluções, respeitando as competências e atribuições distintas de cada órgão e ator envolvido na questão.

Sempre é preciso equilibrar os interesses para que reste atendida a melhor solução do ponto de vista financeiro, de engenharia, logístico, jurídico e ambiental.

REVISTA NORDESTE– Quais obras paradas por falta de verbas serão retomadas na Região Nordeste?

Renan Filho – Até o final do ano passado havia cerca de 100 obras paradas, segundo levantamento do DNIT. Estamos retomando mais de 670 km de obras nas estradas federais, muitas das quais passando pela região, como por exemplo a BR-222/CE, que terá 11 km duplicados até abril.

Matopiba

REVISTA NORDESTE– Há uma grande lacuna de escoamento da produção da região de Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), considerada o novo celeiro do agronegócio do Brasil. Existe expectativa para minimizar os gargalos dessa região específica?

Renan Filho – Pela região passam os principais corredores rumo aos portos do Arco Norte. Estamos falando dos corredores BR-010/153 TO/MA/PA, da BR-135/ BA/PI/MA, BR-174/364 MT/RO, BR-163/PA e BR-158/155 MT/PA.

Estamos investindo R$ 1,5 bilhão na manutenção dessas rodovias para preparar o escoamento da safra, que será recorde.

Investimento e preservação ambiental

REVISTA NORDESTE– Como compactuar o investimento logístico nos transportes de cargas e pessoas em consonância com a preservação ambiental?

Renan Filho – São duas faces da mesma moeda. Estamos vendo agora a cada ano as mudanças climáticas gerando fenômenos extremos e afetando a infraestrutura, que precisa cada vez mais ser resiliente para evitar prejuízos.

Logo, é necessário combinar a provisão da infraestrutura de transportes com a sustentabilidade socioambiental. E estamos fazendo isso em todos os nossos projetos. Queremos ir além da sustentabilidade no canteiro de obras ou da mitigação e das ações compensatórias.

Para ter uma infraestrutura de transportes verde no Brasil, e em condições de acessar o green finance global, precisamos que todo o setor esteja focado nisso. Construtoras, concessionárias, operadores, transportadores, entidades do setor, além do próprio setor público, precisam estar comprometidos com as melhores práticas de governança, de responsabilidade social e de sustentabilidade.

Nordeste impulsiona a inovação do país

Acrescento que o Nordeste se desenvolveu muito durante os dois primeiros governos Lula, se modernizou e hoje, apesar de retrocessos recentes em nível nacional, atrai investimentos, gera empregos e está impulsionando a inovação no país.

A minha geração teve o privilégio de presenciar e também de contribuir com essa transformação positiva da região. Como governador de Alagoas, eleito e reeleito, tenho orgulho de ter liderado uma equipe de gestores que melhorou os indicadores sociais e econômicos do estado.

No setor de transportes, criamos um programa e direcionamos investimentos para transformar nossa malha rodoviária, que chegou a ser considerada a melhor do país e segue ainda entre as mais bem avaliadas. A Região Nordeste merece o melhor para continuar avançando. Temos compromisso com o Nordeste, a quem o Brasil deve muito.

 

*Matéria publicada na edição 193, da Revista Nordeste, produzida pela jornalista Luciana Leão, editora do EJ.

Fotos: Divulgação Ministério dos Transportes

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Luciana Leão

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