Pobreza e riqueza atingiram extremos, diz Oxfam

No dia em que se inicia o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a Oxfam International divulga o estudo “A sobrevivência do mais rico” – por que é preciso tributar os super-ricos – agora para combater as desigualdades é lançado e traz uma realidade triste para o planeta. As desigualdades afloraram após a pandemia da Covid-19, de uma forma assustadora.

Segundo explica a representante da Oxfam, no Brasil, Kátia Maia, pela primeira vez em 30 anos, a riqueza e a pobreza extrema cresceram simultaneamente.

O 1% mais rico do mundo ficou com quase 2/3 de toda riqueza gerada desde 2020 – cerca de US$ 42 trilhões -, seis vezes mais dinheiro que 90% da população global (7 bilhões de pessoas) conseguiu no mesmo período. E na última década, esse mesmo 1% ficou com cerca de metade de toda riqueza criada.

Aumento da tributação dos super-ricos

No relatório “A sobrevivência do mais rico” – por que é preciso tributar os super-ricos agora para combater as desigualdades, lançado por ocasião da reunião do Fórum Econômico de Davos 2023, a organização não governamental defende o aumento na tributação dos super-ricos para recuperar parte dos ganhos obtidos por meio de lucros excessivos durante a crise iniciada com a pandemia de Covid-19.

“É inadmissível que enquanto as pessoas comuns fazem sacrifícios diários para sobreviver, os super-ricos lucrem cada vez mais. Por isso defendemos um aumento na tributação dos super-ricos, que vêm sendo privilegiados há anos”, diz Kátia Maia.

O texto revela ainda que um imposto anual de até 5% sobre a riqueza dos super-ricos poderia arrecadar US$ 1,7 trilhão por ano, o suficiente para tirar dois bilhões de pessoas da pobreza, financiar os apelos humanitários existentes pelo mundo e entregar um plano de 10 anos para acabar com a fome no planeta, entre outras ações.

Confira aqui na íntegra o relatório “A sobrevivência” do mais rico” e entenda o que precisa ser feito para mudar essa triste realidade.

Alguns insights que merecem atenção colocados no relatório:

  • Cada bilionário ganhou durante a pandemia cerca de US$ 1,7 milhão para cada US$ 1 obtido por uma pessoa dos 90% mais pobres.
  • Na última década, os super-ricos concentraram cerca de metade de toda riqueza gerada no mundo.
  • Um imposto de até 5% sobre os super-ricos poderia arrecadar US$ 1,7 trilhão por ano, o suficiente para tirar 2 bilhões de pessoas da pobreza.
  • Os 3.390 indivíduos mais ricos do Brasil (0,0016%) detêm 16% de toda a riqueza do país, mais do que 182 milhões de brasileiros (85% da população).

Vale lembrar que , em 2022, o Banco Mundial já anunciava que a meta de acabar com a pobreza extrema até 2030, não seria alcançada e que “o avanço global na redução da pobreza extrema foi interrompido”, em meio ao que disse ser provavelmente o maior aumento na desigualdade e o maior revés no enfrentamento da pobreza global
desde a Segunda Guerra Mundial.

Recessão

Além disso, o FMI prevê que um terço da economia do mundo estará em recessão em 2023. Pela primeira vez, o PNUD constatou que o desenvolvimento humano está caindo em nove de cada 10 países.

“Países inteiros estão à beira da falência, com as dívidas saindo do controle. Os mais pobres estão gastando quatro vezes mais no pagamento de dívidas – muitas vezes, a credores predatórios, ricos e privados – do que em saúde”, diz trechos do relatório. A Oxfam calculou que três quartos dos governos planejam reduzir gastos nos próximos cinco anos, totalizando trilhões de dólares em cortes. Uma era que está criando enormes fortunas para muito poucos.

Enquanto isso, a acumulação de patrimônio pelos que estão no topo, já em níveis nunca vistos, acelerou. A multicrise global gerou uma enorme riqueza nova para uma pequena elite. Nos últimos 10 anos, o 1% mais rico da humanidade se apropriou de mais da metade de toda a nova riqueza global.

De acordo com uma análise da Oxfam sobre dados do Credit Suisse, essa apropriação por parte dos super-ricos acelerou desde 2020, e o 1% mais rico ficou com quase dois terços de toda a nova riqueza. Isso representa seis vezes mais do que o que ficou com os 90% mais pobres da humanidade. Desde 2020, para cada dólar de nova riqueza global ganho por alguém situado nos 90% mais pobres, um dos bilionários do mundo ganhou 1,7 milhão.

Fonte: Relatório Oxfam

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Luciana Leão

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