Aloisio Sotero *
Como professor de Finanças uma das principais variáveis para checarmos se a saúde do negócio vai bem são os números. Eles nunca falham. Seguindo esse raciocínio não seria avaliado como “anormal” o crescimento, em tempos de pandemia, dos pequenos negócios nos bairros. Sou entusiasta dos minimercados, das feiras públicas, das padarias e multi lojinhas onde você encontra de tudo. Em especial neste momento é importante está antenado em tudo que acontece ao seu redor, quando anos se transformaram em dias e dias em horas . O mercado mudou. Agora vive-se o novo do novo.
Essa percepção de crescimento do comércio nos bairros foi analisada recentemente pelo renomado Instituto Kantar. No estudo feito durante a pandemia, o comércio de bairro no Brasil aumentou até 40%. Esse percentual é justificado pela mudança de hábitos do consumidor, que precisou e precisa continuar evitar aglomeração, assim não estar sujeito a ser contaminado pelo coronavírus.
Outros índices e aspectos que me chamaram atenção foram que 60,2% responderam que compram nos bairros porque não tem muita gente nos estabelecimentos comerciais; a questão da mobilidade também pesou bastante (56,6%), além de preços acessíveis (53,3%), obediência às medidas sanitárias (47,8%) e o melhor de todos: não ter que enfrentar filas. E outra… mesmo se a pandemia passar cerca de 70% dos brasileiros pesquisados pelo Kantar disseram que não iriam mais voltar aos velhos hábitos.
Então, como aumentar e ampliar seu negócio no seu bairro? Vejo aí uma grande oportunidade de incrementar o delivery e passando a adotar a logística de last mile, ou na tradução literal “última milha”.
Esse será o diferencial para o pequeno e médio empreendedor dos bairros. Além de estar perto de seu cliente, fiel companheiro no seu fluxo de caixa, vai poder também oferecer a ele a entrega na porta de casa, seja um hambúrguer, um botijão de gás, verduras, frutas, consertos de roupas, água mineral, enfim, uma infinidade de serviços e varejo. Simples Assim!
O SEBRAE nacional já avaliava esse movimento crescente nos bairros desde 2019. Tanto que em parceria com grandes marcas de consumo e consultorias de mercado criou o movimento #CompreDoBairro. A iniciativa além de incentivar os pequenos negócios possibilita também a capacitação dos empreendedores. Tudo dentro do conceito “figital” (físico e digital).Não existe off-line ou online , existe um mundo híbrido que combina os pedidos via online e as entregas no mundo físico. Ambos coexistem entre si.
Nas redes sociais do movimento no Facebook (@movimentocompredobairro) e no Instagram (@compredobairro) será possível acompanhar postagens com informações relevantes e de interesse para o setor.
Segundo dados oficiais do SEBRAE, 6,3 milhões de pequenos negócios compõem o pequeno varejo brasileiro, setor responsável pelo sustento direto de cerca de 13 milhões de pessoas no Brasil. Ainda de acordo com a entidade, estima-se que o segmento seja fonte de renda para quase 43 milhões de brasileiros no total. Ou seja, de modo simples com capacitação e uso de plataformas digitais pode se transformar em um excelente negócio no futuro próximo.
Além disso, com novas tecnologias de meios de pagamento em especial o PIX , o sistema de Pagamentos Instantâneo, pagar e receber ficou ainda mais fácil para os pequenos negócios do comércio local. O PIX será a moeda digital dos pequenos negócios.
*Aloísio Sotero é professor de Finanças Corporativa, Designer de Negócios Digitais e cofundador da Baex
Publicado no #jornal140 》https://jornal140.com/2020/11/16/pequenos-negocios-nos-bairros-e-o-last-mile/



