Niagro recebe pela segunda vez selo de “empresa ouro” em práticas de ESG

Com capital 100% japonês atua desde 1992 no polo industrial de Petrolina, a partir do processamento industrial de acerola, sendo hoje a maior exportadora da fruta no mundo, e o mercado europeu o seu maior consumidor

A Niagro-Nichirei do Brasil Agrícola, no Vale do São Francisco, no Sertão pernambucano, recebeu pelo segundo ano consecutivo a medalha de ouro em ESG, sigla que vem do inglês Environmental, Social and Governance, ou seja, Ambiental, Social e Governança (ASG, em português), uma das principais tendências de mercado no mundo dos negócios.

A primeira certificação, em 2021, foi concedida pela francesa Ecovadis que atribui à empresa brasileira, excelência em práticas trabalhistas e direitos humanos, ética nos negócios e respeito ao meio ambiente. Desde 1992, instalada no polo industrial em Petrolina, a Niagro é referência mundial no processamento da acerola como suco concentrado e polpa de fruta, além do extrato seco liofilizado da fruta. A segunda certificação foi renovada, este ano, em março, também pela francesa Ecovadis.

Com 100% de capital japonês, da Nichirei Food, a Niagro, maior exportadora da fruta no mundo, escolheu o Vale do São Francisco, pelas suas condições climáticas e de solo favoráveis para ampliar sua atuação no Brasil, a partir da cultura de acerola ou também conhecida como a “cereja das Antilhas”, rica em vitamina C, além de ser boa fonte de vitamina A (caroteno), ferro, cálcio e tiamina.

Indústria foi estabelecida em 1992, em Petrolina, no Vale do São Francisco. Foto: Divulgação

Quase toda a matéria prima, 92%, processada pela indústria é comprada de produtores locais da região do Vale.  Em 2021, em entrevista ao Jornal do Sertão, o diretor sureintendente da Niagro, Junichi Tani, afirmou que o rigor com todo o processo da produção da matéria prima, aliada às boas práticas agrícolas, e uma seleção de produtores parceiros comprometidos com a especificação do produto,  garante uma matéria prima de qualidade e rastreável.

Junichi Tani é pernambucano, natural de Olinda, mas filho de casal japonês. Engenheiro agrônomo tem sua vida profissional dedicada à Niagro. Desde 1995 trabalha na empresa, tendo iniciado sua carreira como chefe de controle de qualidade.

 

A certificação ESG faz a diferença

Em pesquisa realizada pela Global Network of Directores Institutes (GNDI), sob o título Survey Report – Board governance during the Covid-19 crisis, sobre os reflexos da pandemia do coronavírus nos conselhos de administração e tendências globais, o conceito ESG se destacou em primeiro lugar entre os 1.964 conselheiros de 17 institutos em todo o mundo participantes da pesquisa.

Os representantes globais colocaram a importância de boas práticas em ESG como questões de maior impacto, seguido de reposicionamento dos negócios e maior competição por talentos. O GNDI congrega institutos de governança ao redor do mundo e tem o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) como representante no Brasil.

Para o diretor superintendente da Niagro, o reconhecimento como “empresa ouro” em ESG serve como garantia que a companhia é uma parceira confiável para as equipes de compras de diversas organizações no mercado e que utilizam os resultados das avaliações da Ecovadis como parâmetro para reduzir riscos nos seus negócios. “Ser uma empresa com certificação ESG impulsiona a inovação, e, dessa forma, o valor agregado está associado ao poder de decisão na escolha por nossos produtos quando comparado a produtos concorrentes”, afirmou Junichi Tani.

Ser uma “empresa ouro” com conceito ESG leva-se em consideração todas as ações praticadas como um todo, nos quesitos sociais, ambientais e de governança. Em relação a atuação da Niagro no contexto local e mundial de processamento industrial da acerola, cabe destacar ações relevantes de incentivo à agricultura familiar e ao pequeno produtor que facilita a distribuição de renda beneficiando mais de 1000 pessoas com o trabalho indireto, desde o produtor, trabalhador rural, passando pelo transportador, prestador de serviço técnico e industrial até profissionais liberais, contribuindo para erradicação da pobreza, do trabalho escravo e infantil.

“Realizamos semanas educativas para colaboradores e comunidade, otimização de processos para produção mais limpa, cuidados com a vida humana por meio de assistência à saúde, práticas esportivas e lazer para colaboradores e parceiros (fornecedores de acerola), incentivos para crianças e adultos em vulnerabilidade social, garantia de todos os direitos trabalhistas, práticas de ética e direitos humanos com atuação de comitê interno de ética para com todos os envolvidos do processo, assistência técnica gratuita para todos os nossos produtores parceiros”, declarou o gestor da Niagro.

Outro destaque são as práticas de preservação ambiental que possuem elevada pontuação. Desde o ano de 2017, a empresa é reconhecida por suas práticas adequadas com o manejo da água, solo e ar. “Na indústria, aplicamos cuidados que envolvem práticas adequadas de destinação de resíduos, manejo e tratamento de águas e efluentes, utilização de gás nobre para redução de GEE’s (Gases de Efeito Estufa). Nossa meta é resíduo zero com aproveitamento total do processamento de acerola, inclusive na utilização de sementes em ração para peixes, que são exportados para o exterior. Um mercado em franco crescimento também”, avaliou Junichi Tani.

Mercado em expansão

A busca por uma alimentação mais natural é uma tendência mundial, mesmo antes da pandemia do coronavírus. O consumo de frutas ricas em vitaminas C cresceu exponencialmente em 2020, o que pode refletir positivamente para a expectativa de crescimento da Niagro em 2021 estimada entre 10% a 15%.
A Niagro, maior exportadora de acerola do mundo, destina 96,86% de suas vendas para o mercado externo e apenas 3,11% para o consumo interno. Os grandes compradores são os europeus, com 74,26%, da produção, seguido do mercado americano com 16,24%, o asiático 6,39% e o restante 3,11% distribuído no Brasil.

Principal produto é o suco concentrado de acerola. Foto: Divulgação

Como principal produto exportado está o suco concentrado de acerola, com 93,1% das vendas destinadas ao mercado europeu para serem utilizados como suco, tablets e vitamina C. “Os benefícios da acerola são muitos. Como concentrado a acerola atua como antioxidante e melhora a resistência”, cita o diretor superintendente da Niagro. Já a polpa de acerola corresponde a 5,1% da exportação, sendo comercializada principalmente para os países situados no Caribe, e é utilizada para consumo de sucos e mistura de vitaminas. Como extrato seco de acerola liofilizada atende ao mercado “clean label” ou “rótulo limpo” em franco crescimento, segundo Tani.

“O extrato seco de acerola liofilizada atende o mercado europeu e é utilizado como conservantes naturais para segmentos de produção de pães. É uma tendência do mercado mundial em adquirir produtos de clean label, produtos livres de conservantes químicos”, acrescentou o executivo da Niagro. “Nossa expectativa é termos ainda maior crescimento com a certificação ESG, que nos concede compromisso com as boas práticas sociais com a população, fornecedores, produtores, de defesa do meio ambiente, e de compromisso com a governança, praticando ética nos negócios e em toda cadeia produtiva”, disse o executivo da Niagro, Junichi Tani.

*Matéria originalmente publicada na edição de junho de 2021 do Jornal do Sertão, produzida e editada por Luciana Leão e atualizada por conta do reconhecimento pela 2º ano consecutivo como medalha de Ouro em ESG, pela francesa Ecovadis

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Luciana Leão

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