Estados ampliam matriz de energia limpa

A Região Nordeste já é considerada o celeiro da energia renovável no país, com predominância para as hidráulicas, eólica e solar. Há muitos projetos em curso, outros a serem iniciados em todos os noves estados da Região.

Atualmente o estado da Bahia é o maior produtor de energia eólica com 272 usinas em operação em 27 municípios da Bahia, distribuídas pelos quatro cantos do estado: Bonito, Brotas de Macaúbas, Brumado, Caetité, Cafarnaum, Campo Formoso, Casa Nova, Gentio do Ouro, Guanambi, Ibipeba, Igaporã, Iraquara, Licínio de Almeida, Morro do Chapéu, Mulungu do Morro, Ourolândia, Pindaí, Riacho de Santana, Sento Sé, Sobradinho, Souto Soares, Tucano, Uibaí, Umburanas, Urandi, Várzea Nova e Xique-Xique.

 

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Imagens aéreas do Parque Eólico de Guanambi.
Foto: Paula Fróes/GOVBA

 

Em levantamento feito para a Revista Nordeste, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia informa que, até o momento, foram gerados em toda a cadeia produtiva mais de 74 mil empregos nas usinas que estão em operação.

“A nossa estimativa é que sejam aplicados mais de R$ 59 Bilhões nas 247 usinas que estão com construção iniciada e em construção não iniciada e a previsão é que sejam promovidos mais de 103 mil empregos em toda a cadeia produtiva”, disse à Nordeste, Angelo Almeida, secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia.

Do vento ao sol

Na energia solar, 40 mil empregos foram gerados e mais de R$ 6 bilhões investidos nas usinas que estão em operação.

Atualmente o estado baiano conta com 47 usinas em funcionamento  instaladas em 11 municípios: Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Casa Nova, Guanambi, Itaguaçu da Bahia, Juazeiro, Oliveira dos Brejinhos, Salvador, Tabocas do Brejo Velho, Terra Nova, e Vitória da Conquista.

“A estimativa é que sejam aplicados mais de R$ 51 bilhões nas 372 usinas que estão com construção iniciada e em construção não iniciada. Temos previsão de criação de mais de 430 mil empregos em toda a cadeia produtiva”, anuncia Angelo Almeida,

Hidrogênio Verde

O já considerado combustível do futuro, o hidrogênio verde (H2V) tem na Bahia a primeira planta industrial para produzir a commodity em larga escala, no município de Camaçari.

A Unigel, um dos líderes de atuação na América Latina para os segmentos de estirênicos -usado na fabricação de embalagens plásticas e de materiais descartáveis, em isolamento térmico, acessórios para automóveis, eletrodomésticos e na indústria têxtil-  iniciou a primeira etapa da construção da fábrica de H2V com investimentos de US$ 120 milhões e contará com a tecnologia de eletrólise de alta eficiência da alemã thyssenkrupp nucera.

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Angelo Almeida, secretário de Desenvolvimento Econômico (SDE) da Bahia. Foto: João Ferreira/GOVBA

Segundo o secretário da SDE-BA, até 2027, a capacidade instalada será de 100 mil toneladas anuais de hidrogênio verde, com previsão de produção que pode chegar a 358 mil toneladas por ano.

“Existem inúmeros diferenciais que permitem a Unigel liderar o Brasil rumo à economia do hidrogênio e amônia verdes. A empresa já tem capacidade de produção de amônia suficiente para dar destino ao hidrogênio verde” pontua Almeida.

Além disso, acrescenta Almeida, a Unigel tem acesso à infraestrutura e a fontes de energia limpa e competitiva no Polo Petroquímico de Camaçari, além de operar um dos dois únicos terminais de amônia no Brasil, localizado no porto de Aratu, também na Bahia, o que flexibiliza o investimento em termos de custos e logística.

Linha do tempo

O investimento teve como etapa inicial a assinatura de um protocolo de intenções, no final de 2021, entre o Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) e a Unigel.

Posteriormente, em abril de 2022, foi instituído por meio de Decreto o Plano Estadual para a Economia de Hidrogênio Verde (PLH²V) e lançada, em julho do mesmo ano, a pedra fundamental da planta da empresa em Camaçari.

No Ceará, tratativas avançam

A Europa, em particular, está buscando alternativas aos combustíveis fósseis, posicionando o Porto de Roterdã como um hub principal para a distribuição de Hidrogênio Verde.

Com essa logística em curso e sendo o Porto de Roterdã, um dos principais acionistas do Complexo Industrial de Pecém, o Governo do Ceará acelera negociações com empresas interessadas em explorar o potencial para o desenvolvimento da cadeia de produção, distribuição, armazenamento e transporte do Hidrogênio Verde no Complexo do Pecém.

Em recente participação do World Hydrogen Summit & Exhibition 2023, o Governo do Ceará, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), do Complexo do Pecém e da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), assinou três memorandos de entendimento (MoUs) com a Platform Zero, entre o Complexo do Pecém e outras 13 instituições de cinco países; com a Green Hydrogen Corridor, entre Complexo do Pecém, AES Brasil, Casa dos Ventos, Nexway, Havenbedrijf Rotterdam, Fortescue e EDP e, com a francesa Voltalia. Fora esses, já existem mais 30 memorandos assinados pelo governo cearense com empresas aptas a explorar a produção de H2V, Amônia Verde e e-Metanol.

“Esse evento é uma vitrine para as empresas que ainda não conhecem nosso projeto. Concluímos nossa participação muito satisfeitos porque conseguimos três novos MoUs e estamos posicionando o Pecém e, por que não dizer, o Nordeste e o Brasil como referência internacional na cadeia produtiva de hidrogênio verde”, detalha o presidente do Complexo do Pecém, Hugo Figueirêdo.

“Na edição deste ano, tivemos como ponto alto a participação on-line do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, direto do Pecém, com o governador Elmano de Freitas. Ao mesmo tempo, a delegação cearense no Porto de Roterdã para assinarmos não só a parceria para implementação do corredor de hidrogênio verde entre Pecém e Roterdã, mas também a iniciativa de portos verdes entre Brasil e Países Baixos”, ressalta Hugo.

 

*Matéria originalmente publicada na Revista Nordeste, edição de Maio, elaborada pela editora do EJ, Luciana Leão

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Luciana Leão

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