Como o BNB encara novos desafios no NE

Em entrevista exclusiva para a  195a edição da Revista Nordeste, o ex-governador de Pernambuco, Paulo Câmara, atual presidente do Banco do Nordeste revela planos para gerar auto sustentação e desenvolvimento atualizado

Paulo Câmara considera legítima reivindicação dos Estados para que o FNE possa  garantir também financiamento de infraestrutura aos Estados 

Em meio a um cenário de juros altos, com inflação e desemprego elevados nos nove estados da Região, o Banco do Nordeste – BNB – é o principal vetor de estímulo a novos investimentos ligados ao desenvolvimento sustentável,  ao empreendedorismo, de incremento aos pequenos negócios, apoio à agricultura familiar e agroecologia sustentável, por meio de seu mix de linhas de créditos. 

A Revista NORDESTE entrevistou, com Exclusividade, o novo presidente do BNB, o ex- governador de Pernambuco, economista Paulo Câmara.

Sua experiência como gestor de Pernambuco com forte atuação na área pública trará um novo olhar para o Nordeste. Um Nordeste do futuro, em sua visão.

Por Luciana Leão 

Revista NORDESTE – Como o senhor analisa em médio e longo prazo essa perspectiva do futuro da região, enquanto gestor de um banco voltado para o desenvolvimento regional?

PAULO CÂMARA– O Nordeste tem a matriz energética mais sustentável do país, um mercado consumidor de 57 milhões de habitantes e é a região brasileira mais próxima dos mercados europeu e norte-americano. Contamos com infraestrutura portuária e aeroportuária e com oportunidades na indústria, na agricultura, na tecnologia e em vários outros setores da economia. O Banco do Nordeste será um vetor do desenvolvimento desses potenciais.

NORDESTE – O Sr. inegavelmente tem acúmulo de experiência quando se trata de estados do Nordeste, mais Minas Gerais e Espírito Santo.

Num tempo em que os efeitos de quebras de bancos no exterior, Banco Central mantendo juros elevados, qual a contribuição de sua gestão a este novo momento econômico do Brasil e dos nove estados? O que o senhor traz de novo com sua expertise?

PAULO CÂMARA – Minha experiência como governador e como presidente do Consórcio Nordeste contribuiu para uma visão ampla da nossa região. Os estados nordestinos não precisam concorrer por investimentos. Somos muito parecidos, mas temos particularidades que tornam Pernambuco vocacionado para uma área, o Ceará para outra e assim por diante.

“Somos muito parecidos, mas temos particularidades que tornam Pernambuco vocacionado para uma área, o Ceará para outra e assim por diante”

Fortalecer essas vocações e auxiliar nesse desenvolvimento de maneira integrada é uma de nossas metas

NORDESTE – Como ex-governador o senhor tem o conhecimento de que os governos estaduais reivindicam do BNB tratamento semelhante à iniciativa privada, sobretudo no financiamento de infraestrutura. Como o senhor avalia essa demanda?

PAULO CÂMARA – Avalio como legítima essa demanda. Podemos trabalhar em conjunto para atender às necessidades de cada estado, ampliando os financiamentos a projetos estruturantes que atraiam novas empresas e tragam impactos sociais e econômicos importantes.

NORDESTE – A oferta de recursos previstos no orçamento para o Banco do Nordeste, segundo informações do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene) não atende a capacidade de projetos da região. Como equacionar esse impasse financeiro frente às dificuldades de caixa em nível federal?

PAULO CÂMARA – O Nordeste está em pleno desenvolvimento, e é natural haver uma grande quantidade de bons projetos a serem financiados .

É impossível, por exemplo, pensar em energia renovável e não incluir o Nordeste como a região mais promissora do País.

Além das tradicionais fontes de recursos das quais dispomos, vamos em busca de parcerias e convênios, com outras instituições financeiras e governos, que viabilizem o financiamento desses projetos.

Finanças

NORDESTE – Os resultados obtidos pelo Banco do Nordeste alcançaram, em 2022, a marca histórica de R $2,015 bilhões de lucro líquido. O valor é o maior já registrado pela instituição financeira em seus 70 anos de atuação. Como manter o crescimento sustentável da instituição com um uma taxa de juros bastante elevada?

PAULO CÂMARA– Foco em eficiência. Temos o compromisso de otimizar nossos processos e oferecer serviços ainda mais eficientes, além de manter um olhar diferenciado para investimentos sustentáveis e empreendedorismo.

Sobre juros, o FNE nos permite ser altamente competitivos no financiamento a todos os segmentos. O BNB permanece sendo a melhor alternativa para quem deseja investir na Região.

NORDESTE – É de conhecimento que a falta de recursos para obras estruturadoras na região Nordeste depende do apoio financeiro do Governo Federal, por meio de repasses, principalmente do FNE e FDNE.

Nesse aspecto, em sua gestão, o Banco do Nordeste propõe fazer um redesenho financeiro para incentivar, por exemplo, mais Parcerias Público e Privadas?

PAULO CÂMARA – Parcerias público-privadas são uma solução importante para impulsionar investimentos em infraestrutura. O Banco do Nordeste estará atento às oportunidades e usará sua expertise para contribuir com soluções nesse sentido.   

Interiorização e o semiárido

NORDESTE – A interiorização da economia vem sendo uma tendência nos últimos anos, com a migração de serviços e indústrias para as pequenas e médias cidades.

Há em seu planejamento e de sua equipe prioridades para acelerar a economia inter regional, com foco no desenvolvimento e infraestrutura nas pequenas e médias cidades do interior do Nordeste?

Ou seja, haverá mais estímulos para que o êxodo do capital, do investidor, seja interiorizado? 

PAULO CÂMARA – Estamos atentos à interiorização da economia, algo essencial para que haja um equilíbrio no desenvolvimento da Região.

O BNB tem programas como o Prodeter, que atua no fortalecimento de cadeias produtivas em todos os municípios da área de atuação do banco, e pode ampliar o apoio a projetos estruturantes em cidades de pequeno e médio portes.

O Banco dispõe de recursos, ferramentas e uma equipe altamente qualificada para participar ativamente desses projetos.

NORDESTE- Um outro viés da interiorização demanda incentivo às cadeias produtivas regionais e inclui o acesso da tecnologia para os diversos segmentos econômicos, seja rural ou urbano.

Como o senhor pretende alavancar a aceleração digital para aquela população desassistida, principalmente, no semiárido?

PAULO CÂMARA –  O Banco do Nordeste possui os maiores programas de microcrédito produtivo urbano e rural do País, Crediamigo e Agroamigo.

Esses programas bancarizaram nos últimos anos boa parte da população desassistida e colaboram também com a inclusão digital dessas pessoas.

O desafio é maior no meio rural, mas, mesmo nesse caso, o BNB dispõe produtos como o  Agroamigo Net, estratégia de financiamento para investimentos em conectividade rural para impulsionar a inclusão digital dos agricultores familiares. 

Entendermos a inclusão digital como componente importante da cidadania, logo, pretendemos potencializar o apoio a projetos do gênero. 

NORDESTE- Ainda com relação ao semiárido, por mais que tenha avançado o acesso à água potável, por meio de tecnologias adaptativas, há de se reconhecer que ainda resta um longo caminho a se percorrer.

Como democratizar o acesso? Qual sua visão diante de uma problemática secular na Região?

PAULO CÂMARA – Sem dúvida o acesso pleno à água potável no semiárido é ainda um grande desafio. A falta de água é um problema que não condiz com o nível de inclusão e desenvolvimento que desejamos. 

O BNB tem colaborado para a superação desse desafio por meio da realização de parcerias de cooperação técnica com governos e ONGs, mas, sobretudo, com a criação de linhas de créditos específicas, voltadas para os microempreendedores rurais. 

O Agroamigo Água é uma dessas linhas que financiam, com juros subsidiados, construção de cacimbas, cisternas, encanamento para residências e irrigação, colaborando com o acesso a água. Iniciativas como essa devem ser ampliadas. 

NORDESTE – Senhor presidente, quais suas considerações finais frente ao novo desafio?

PAULO CÂMARA –  O Banco do Nordeste é uma instituição que influencia de modo decisivo a dinâmica da economia regional, ao financiar empreendedores de todos os portes. Presidir o BNB é uma grande honra e um grande desafio.

Todos os meus esforços serão para que o Banco evolua ainda mais em governança e eficiência operacional, sem perder de vista sua missão de promover o desenvolvimento sustentável da Região.

 

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Luciana Leão

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