A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) anunciou oficialmente durante a Assembleia Geral do Consórcio Nordeste, em Brasília, nesta segunda-feira (25), a criação do Fundo de Reconstrução em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e as regiões do Nordeste, incluindo o Rio Grande do Norte e demais estados que compõem o Bioma exclusivamente brasileiro.
A iniciativa não apenas beneficia o Nordeste, mas também promove o equilíbrio ambiental em todo o Brasil. “Precisamos entender a importância do Bioma da Caatinga. A criação desse Fundo de Reconstrução é um marco do ponto de vista do desenvolvimento sustentável não só para o Nordeste, mas para o equilíbrio ambiental de todo o Brasil”, assim enfatizou a governadora Fátima Bezerra.
O Bioma Caatinga
A ênfase na importância da preservação do bioma se dá por ser a Caatinga uma poderosa sequestradora de CO2, capaz de absorver o gás carbônico em quase 100% do tempo e com menor dependência de água.
Assim sendo, a reconstrução da Caatinga e a valorização de sua genética resiliente serão decisivas para o planeta, devido a captura de carbono e a capacidade de produção de alimentos em um cenário de aquecimento global acima de 1,5ºC e de escassez hídrica.
Embora o estoque e a capacidade de absorção de CO2 da Caatinga sejam inferiores aos da Amazônia, eles ainda são relevantes e merecem reconhecimento. O Bioma Amazônico absorve de 3 a 5 toneladas de CO2 equivalente por ano, enquanto a Caatinga tem a capacidade de absorver de 1 a 3 toneladas de CO2 equivalente por ano.
Recursos
Para avançar no processo, o BNDES anunciou, ainda em julho deste ano, o investimento de R$ 10 milhões para restauração de biomas como o da Caatinga, em acordo com o BNB (Banco do Nordeste do Brasil).
O Fundo de Reconstrução da Caatinga pode ter como referência o Fundo Amazônia, que já opera há 15 anos, com dotação atual de R$ 3,4 bilhões, o qual já apresenta resultados relevantes para a preservação do Bioma Amazônico.
Desertificação
Apesar de sua importância, o bioma contém 62% de área sujeita à desertificação e 80% dessa área é antropizada (quando suas características originais foram alteradas). Daí a importância do Fundo de Reconstrução da Caatinga.
Considerado o único bioma estritamente brasileiro, o Bioma da Caatinga conta com uma área de 860 mil km² (o equivalente à soma da França e Itália), e possui 27,8 milhões de habitantes, ocorrendo nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Maranhão e parte do norte de Minas Gerais.
Também possui 1,8 milhões de agricultores familiares, com conhecimento e tecnologias sociais com soluções para os desafios globais.
“É um bioma importantíssimo, por todas as suas características, e o que ele precisa exatamente agora é ser cuidado”, ressalta Fátima Bezerra ao comemorar o Fundo.
“Sua preservação e reconstrução é relevante para além da absorção de carbono, mas para a promoção de sua bioeconomia, para a sobrevivência das pessoas que vivem na região e para a economia. Um exemplo é a exploração para a indústria farmacêutica, complementou Virgínia Ferreira, secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão, que acompanhou a governadora na agenda em Brasília.
Foto destaque: Hudson Helder / Assecom RN




