A urgência do combate à poluição plástica

A temática desta semana na coluna não poderia ser outra: o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado na última segunda-feira (5/06), em sua 50ª vez em todo o mundo. A data foi estabelecida pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1972. Cada ano, o evento é organizado em torno de um tema específico. Para 2023, a ONU elencou a Poluição Plástica.

Não por acaso esse foi o desafio escolhido pela Organização das Nações Unidas para este ano, já que a poluição plástica é um problema global que afeta negativamente todos os ecossistemas.

Plástico nos oceanos

Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), estima que 19 e 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos são despejadas nos oceanos a cada ano.

Calcula-se que  19 e 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos são despejados nos oceanos. Foto: Divulgação

E, se tal tendência de crescimento permanecer, há a previsão de que, até 2050, teremos mais plásticos do que peixes, em termos de peso. Isso significa nada menos que mais de 700 espécies marinhas sejam afetadas pela poluição plástica no mundo.

Estudo aponta Rio São Francisco como porta de entrada

O Brasil é um dos maiores produtores de plásticos do planeta, com uma média de 11,3 milhões de toneladas de resíduos plásticos gerados por ano. Destes, 7,7 milhões são coletados. E, apenas 1,2 milhão de toneladas são recicladas, ou seja, destinadas de forma correta ao meio ambiente.

Segundo estudo realizado pelo Blue Keepers, iniciativa do Pacto Global da ONU no Brasil, o litoral brasileiro tem quase 600 grandes portas de entrada para a poluição por resíduos plásticos no oceano e, entre elas, o nosso Rio São Francisco, que tem um percurso que atravessa os estados de Minas Gerais e da Bahia, faz fronteira entre a Bahia e Pernambuco, no Sertão, e constitui a divisão natural entre os estados de Sergipe e Alagoas, e, ali deságua no Oceano Atlântico.

O estudo da Blue Keepers aponta que cerca de 2,3 milhões de toneladas do material, ou 67% de todo o plástico que pode chegar aos mares brasileiros por ano, podem vir de bacias hidrográficas de alto risco.

Dessas, as mais críticas são as desembocaduras dos rios Amazonas (cerca de 160 mil tons/ano), São Francisco (230 mil tons/ano) e a Baía de Guanabara (216 mil tons/ano).

Esse estudo foi lançado durante o segundo encontro do Tratado Internacional pelo Fim da Poluição por Plásticos, liderado pela ONU Meio Ambiente, na semana de 29 de maio a 2 de junho, em Paris.

Além do estudo, o Blue Keepers também lança seu Webmapa, ferramenta online pública, que mapeia e mostra detalhadamente os pontos críticos potenciais de escape de resíduos plásticos por todo o Brasil, sua probabilidade de trânsito nas bacias hidrográficas, e o risco de chegar ao oceano. Ele estará disponível no site do Pacto Global a partir desta quinta-feira (8/06), quando se comemora o Dia Mundial do Oceano.

O que devemos fazer?

É de conhecimento que o plástico pode levar centenas de anos para se decompor no meio ambiente. Ele resiste ao tempo, por gerações. E isso afeta diretamente nossa segurança alimentar. Pois, aqueles microplásticos jogados no chão, que correm pros rios, córregos, manguezais e chegam ao mar, são ingeridos por espécies marinhas, por exemplo, os peixes, que nos alimentam.

Outro alerta é com relação à não destinação correta do lixo doméstico. No Brasil, temos uma das melhores (em tese), Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Foi instituída em 2015, há quase uma década. Mas, ainda há pouca conscientização e conhecimento da sociedade em geral sobre a Lei PNRS e os males que os dejetos podem fazer se não houver uma destinação correta.

Colocar a PNRS em prática

A lei incentiva a responsabilidade compartilhada entre o poder público, setor empresarial, sociedade civil e consumidores na gestão dos resíduos sólidos, incentivando a cooperação e o engajamento de todos os segmentos da sociedade. Isso ocorre muito pouco ainda…..

A logística reversa é um caminho a seguir rumo a eficiência da economia circular e, por meio da coleta responsável, seletiva, é possível reduzir o consumo de matérias-primas e energia, promover a reutilização de materiais e produtos e reciclar materiais que antes eram descartados.

Isso resulta em uma diminuição da quantidade de lixo gerado, o que, por sua vez, reduz o impacto ambiental causado pelo acúmulo de resíduos em aterros sanitários e lixões.

De outro lado, os municípios são obrigados a elaborar seus Planos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, que são instrumentos de planejamento e devem contemplar ações e metas para a gestão adequada dos resíduos, incluindo ações de redução, reutilização, reciclagem e destinação final, incentivando os catadores de materiais recicláveis, e incluí-los na cadeia econômica, por meio da criação de cooperativas e promoção de programas de capacitação, além de melhorias de condições de vida desses profissionais.

Mas, afinal, quais destas informações podemos destacar como urgentes em busca de um ambiente econômico, social e desenvolvido sob o tripé da sustentabilidade?

O ideal, em um mundo ainda fictício, seria reduzir a poluição plástica, com a adoção de práticas de consumo sustentável, o aumento da reciclagem de plásticos, a regulamentação do uso de plásticos descartáveis e o incentivo à pesquisa e inovação em materiais alternativos ao plástico.

Porém, mais do que urgente, faz-se necessário a conscientização e o engajamento da população, bem como a cooperação entre todos os poderes, empresas privadas, públicas, terceiro setor, enfim, todos (as).

Até a próxima e boa leitura!

 

*Coluna Comunicação e Sustentabilidade, escrita pela editora do EJ, para o Jornal do Sertão PE, publicada nesta quarta-feira (07/06)

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Luciana Leão

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