Por que fazer Educação Ambiental? | Ana Lúcia Carneiro Leão

Em época de eleições para as assembleias estaduais, governadores, congresso e para presidente da república, neste mês de setembro decidi voltar a um tema muito precioso: Educação Ambiental.

Educação Ambiental nos remete a falar sobre educação e cidadania, dando-lhe uma nova dimensão: a dimensão social, a dimensão econômica, a dimensão ecológica de forma interdisciplinar, integrada e vinculada aos temas planetários e locais.

A educação ambiental preconiza a busca pela consciência crítica que permita o entendimento e a intervenção de todos os setores da sociedade, encorajando o surgimento de um novo modelo de sociedade, em que a preservação dos recursos naturais seja compatível com o bem-estar socioeconômico das populações no presente e no futuro. 

No século XX deu-se início à disseminação dos princípios, diretrizes e métodos da educação ambiental problematizadora pautada na Pedagogia de Paulo Freire.  

A degradação do meio ambiente no planeta é hoje uma das maiores preocupações dos governantes, líderes e da sociedade civil como um todo. Uma das estratégias e ferramentas para a construção de um novo modelo de desenvolvimento e modo de produção passa fundamentalmente pela educação ambiental.  

A Constituição cidadã da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988 estabelece como competência do poder público, “promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino de forma interdisciplinar”.  

A Educação Ambiental é um processo que reflete a relação entre a humanidade e o meio ambiente, a relação Homem-Natureza.  

As questões referentes à poluição, a degradação, ao consumismo, ao aquecimento global, às catástrofes naturais e à extinção da fauna e flora têm sido temas centrais na estrutura da pedagogia ambiental, ampliando a necessidade de sua inserção em escolas, universidades, organizações não governamentais , indústrias , serviços, comunidades. Cidades e bairros.

A Conferência das Nações Unidas em 1972, para o meio ambiente e desenvolvimento, marca um processo de efervescência de teorias e práticas para o desenvolvimento sustentável.   

Educar para transformar 

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Educação Ambiental inserida nas comunidades e escolas como um dever constitucional. Foto: divulgação 

O processo da educação ambiental transformadora traz a necessidade de buscar ações coletivas para construir valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências focadas na preservação ambiental, que é de uso comum, essencial à qualidade de vida e a sustentabilidade.

A disseminação dos valores dos fenômenos naturais, os ciclos biológicos, as cadeias alimentares, a teia ecológica precisam ser compreendidos em seu tempo e características singulares. Assim, torna-se possível superar a visão antropocêntrica que tem como o homem no centro de tudo e que é mister que deva ser paulatinamente esquecida. O processo industrial e o capitalismo selvagem degradadores precisam ser estagnados. 

A educação ambiental se faz necessária desde os primeiro ciclos do ensino infantil, fundamental e do ensino médio. Despertar e sensibilizar os educandos, contextualizando com a sua realidade na formação do cidadão crítico e participativo. 

A Educação Ambiental deve ser abordada de forma permanente e transversal, em todos os níveis de ensino, desde a educação infantil até a formação profissional, garantindo a presença da dimensão ambiental de forma interdisciplinar. 

Efeito Multiplicador 

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Uma ação multiplicadora para futuras gerações. Foto: divulgação 

É imperioso que a educação ambiental seja vivenciada em todos os espaços da sociedade. A Educação Ambiental praticada, multiplicada e participativa fora e dentro da escola, nas comunidades, nas empresas, nas universidades, nos centros técnicos de ensino profissionalizantes, no mercado de trabalho, nas indústrias, no campo e na cidade. É um instrumento fundamental para a transformação de comportamentos, hábitos e atitudes para alcançar a irremediável e urgente sustentabilidade somada às  novas tecnologias que pense e pratique os conceitos do desenvolvimento. 

A Constituição atual traz no Artigo 225, “todos têm direito ao Meio Ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (Art. 225)”.

Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público, entre outras providências, promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino público e privado e a conscientização de todos os setores sociais para a conservação do meio ambiente. 

O Meio Ambiente começa no meio da gente

O desenvolvimento de novas atitudes e valores democráticos, que viabilizam a participação crítica das pessoas nas decisões políticas e econômicas tanto em nível local como global, pode significar grande impacto para a transformação da sociedade, na direção do desenvolvimento sustentável.  

A Educação ambiental é o instrumento mais eficaz para se conseguir criar e aplicar formas sustentáveis de interação humanidade-natureza. Este é o caminho para a transformação de comportamentos, hábitos e atitudes que levem a melhoria do ambiente, promovendo a redução e a pressão sobre os recursos ambientais em busca de um planeta sustentável para as futuras gerações. 

* Ana Lúcia Carneiro Leão é bióloga, MSc Educação Ambiental – Universidade de Strathclyde, na Escócia. Escreve mensalmente para o EJ.

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Redacao EJ

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One thought on “Por que fazer Educação Ambiental? | Ana Lúcia Carneiro Leão

  1. João Carlos Simões Neves 7 de outubro de 2022 at 16:33

    Gostei muito dessa matéria, esplêndido, Parabens.

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