Polêmicas na Missa do Vaqueiro em Serrita | Por Lula Portela

A 52ª edição da Missa do Vaqueiro, em Serrita, acontece de 21 a 24 de julho/ Foto: Alonso Laporte

 

O maior evento religioso e profano do Sertão Nordestino, a Missa do Vaqueiro de Serrita, que passou dois anos sem ser realizada presencialmente por conta da pandemia, volta esse ano, na sua 52° edição, cercada de polêmicas em sua programação que acontece entre os dias 21 a 24 de julho.

Primeiro foi a paternidade do evento. A Prefeitura de Serrita decidiu, unilateralmente, tomar para si a realização do evento que há mais de duas décadas é de responsabilidade da Fundação Padre João Câncio. Só agora em junho a Fundação conseguiu uma liminar que lhe deu o direito de integrar a sua programação artística (oriunda de emenda parlamentar), à grade da prefeitura.

Esta semana, a polêmica nas redes foi sobre a decisão da prefeitura de assumir estacionamento e camping do evento que recebe milhares de turistas de todo o País. O poder público municipal passou a administrar e cobrar as diárias que chegam a R$ 200. Muitos estão estranhando esta estatização e também o fato de que em anos passados os valores cobrados eram simbólicos.

Outro fator que causou surpresa na cidade foi a criação, pela prefeitura, da Central da Missa do Vaqueiro. Trata-se de um comitê formado pelas secretarias de Comunicação, Cultura e Turismo e Juventude e Esportes, mais duas empresas privadas que não se sabem como foram licitadas. São elas a 2Click e a William Produções. A Fundação Padre João Câncio não foi convidada a participar do comitê.

“É um grande absurdo tudo isso que estamos vivendo. Trata-se de uma intervenção sem precedentes e totalmente ilegal por parte da prefeitura, com a conivência do governo estadual. O evento é uma realização da Fundação Padre João Câncio, que é quem detém a propriedade intelectual da celebração, diz Helena Câncio, presidente da Fundação.

Sobre a cobrança do estacionamento, o camping e a ausência da Fundação no Comitê, ela acrescenta: “A Prefeitura insiste em não dialogar conosco, embasada num comodato do Parque Estadual João Câncio pelo Governo do Estado, que lhe dá tão somente direito ao uso do solo. Também não esclarece a destinação desta arrecadação, haja vista que os investimentos que estão sendo feitos no parque são de origem pública”. Turistas e agentes de viagens questionam nas redes sociais os preços cobrados.

As polêmicas envolvendo a 52a Edição da Missa do Vaqueiro não param por aí. A grade de atrações de responsabilidade da prefeitura é milionária. Já foram anunciados Wesley Safadão e João Gomes, por exemplo. O que se diz na cidade é que o Governo do Estado, através da Empetur, garantiu mais de R$ 2 milhões para cachês e infraestrutura, enquanto, de acordo com a Fundação Padre João Câncio, sequer foi pago o convênio do evento de 2019, no valor de 500 mil. A programação da 52° Missa do Vaqueiro de Serrita está prevista para os dias 21 a 24 de julho.

*Lula Portela é jornalista e sócio da Verbo Assessoria de Comunicação
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