Jornalista e indigenista continuam desaparecidos no Vale do Javari

 

A Polícia Civil deteve “Churrasco” e outro homem identificado como “Jâneo”. Eles foram considerados suspeitos de estarem envolvidos no desaparecimento

 

Por Fábio Pontes e Elaíze Farias,

da Amazônia Real

Rio Branco (AC) e Manaus (AM) – Após pressão da Embaixada da Inglaterra e uma comoção nas redes sociais, a Marinha do Brasil e a Polícia Federal iniciaram na tarde desta segunda-feira (6) as buscas ao jornalista britânico Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian no Brasil, e ao indigenista Bruno Araújo Pereira, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai) que estava trabalhando em um projeto da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Dados como desaparecidos, após aportarem neste domingo (5) na comunidade ribeirinha São Rafael, localizada no município de Atalaia do Norte (a 1.136 quilômetros de Manaus), no extremo oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru. Segundo a Univaja, a última informação de avistamento deles é da comunidade São Gabriel, que fica rio abaixo da comunidade São Rafael.

A comunidade São Rafael é presidida pelo ribeirinho conhecido como “Churrasco”, responsável pelo manejo de pescado na região, mas suspeito de envolvimento na pesca ilegal e de invasões dentro da Terra Indígena Vale do Javari, segundo fontes ouvidas pela agência Amazônia Real.

A região do município de Atalaia do Norte, junto com Tabatinga, na fronteira do Brasil com Peru e Colômbia, é tensa com registro de inúmeros conflitos, inclusive, a morte de um ex-servidor da Funai, em 2019, que denunciava os crimes ambientais na região. (Leia mais abaixo). Desde o final de 2018, o número de ataques de invasores na Terra Indígena Vale do Javari aumentou, como o que aconteceu em dezembro daquele ano.

O desaparecimento é ainda mais angustiante pelo fato de Bruno Pereira e de Dom Phillips terem recebido ameaças nos últimos dias, segundo a Univaja. Bruno foi um dos responsáveis por pressionar a Polícia Federal para realizar operação contra a pesca e a caça clandestina dentro de terras indígenas. Ele próprio esteve numa destas ações, que resultou na prisão de duas pessoas e apreensões de embarcações.

Marinha 

Em nota, a Marinha do Brasil informou que “uma equipe de Busca e Salvamento (SAR), subordinada à Capitania Fluvial de Tabatinga foi direcionada ao local da ocorrência”. Até o momento não há pistas dos desaparecidos, mas confirmou o local das buscas: “próximo a comunidade São Rafael”.

Segundo apurou a reportagem, agentes da Polícia Federal iriam na tarde desta segunda-feira à comunidade São Rafael em busca de depoimentos do homem identificado como “Churrasco”, presidente da associação dos moradores. Um outro homem conhecido como “Colômbia”, também envolvido na pesca ilegal, estaria sendo procurado por ser uma das pessoas que teria ameaçado o indigenista Bruno Pereira.

No início da noite desta segunda-feira, a Polícia Civil deteve “Churrasco” e outro homem identificado como “Jâneo”. Eles foram considerados suspeitos de estarem envolvidos no desaparecimento e levados para Atalaia do Norte, onde prestaram depoimento e teriam sido liberados.

No domingo (5), de acordo com as informações da Univaja, Bruno Pereira e Dom Phillips pararam na comunidade São Rafael, em uma visita previamente agendada, para que o indigenista fizesse uma reunião com o “Churrasco”. O objetivo da reunião seria consolidar trabalhos conjuntos entre ribeirinhos e indígenas na vigilância do território afetado pelas intensas invasões.

“Pelo que consta nas informações trocadas, via Dispositivo de Comunicação Satelital SPOT, eles chegaram na comunidade São Rafael por volta das 6h, onde conversaram com a esposa do “Churrasco”, visto que este não estava na comunidade, e depois partiram rumo a Atalaia do Norte, viagem que dura aproximadamente duas horas. Assim, deveriam ter chegado por volta de 8h ou 9h da manhã na cidade, o que não ocorreu”, diz a nota da Univaja e da OPI (Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato).

O desaparecimento da dupla ocorreu às vésperas da Cúpula das Américas. O presidente Jair Bolsonaro (PL) deverá participar de uma reunião com o presidente americano Joe Biden e a política ambiental do governo estará em pauta.

*Com informações da Agência Amazônia Real

 

Please follow and like us:

Redacao EJ

Leia mais →

One thought on “Jornalista e indigenista continuam desaparecidos no Vale do Javari

  1. Família de Bruno Pereira faz vaquinha em redes sociais para tratamento do filho - 6 de janeiro de 2024 at 06:58

    […] Jornalista e indigenista continuam desaparecidos no Vale do Javari […]

    Responder

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco + cinco =

Twitter
Visit Us
Follow Me
LinkedIn
Share
Instagram