Com a liberação do sinal pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), da nova geração de internet móvel, a “5G puro”(standalone), em Brasília (DF), os moradores da capital federal que pretendem aproveitar o 5G, têm que ter aparelhos compatíveis com a tecnologia. No dia a dia, os usuários que têm o 5G vão conseguir navegar e fazer o download de arquivos com mais velocidade, por exemplo.
As operadoras de telefonia móvel instalaram cerca de 100 antenas 5G no DF, o que vai garantir a cobertura a 80% da população. A princípio, o Plano Piloto, a região central da capital, terá mais cobertura, mas parte dos moradores de outras regiões administrativas, como Ceilândia, Taguatinga e Samambaia, por exemplo, também já vão contar com o 5G a partir desta quarta-feira.
Setor produtivo
Elísio Luz, secretário de Ciência, Inovação e Tecnologia do DF disse que o impacto do 5G será perceptível também pelo setor produtivo, como a agricultura. “Você tem, por exemplo, o mapeamento de uma área agrícola por meio de drones. Ele consegue fazer uma análise da vegetação, onde precisa de mais fertilizantes ou menos fertilizantes, onde tem praga, onde não tem e consegue fazer um ataque localizado naquilo que é necessário. A economia em cima disso tudo é muito grande”, explica.
Além disso, a quinta geração de internet móvel permite o uso de carros autônomos e a aplicação do conceito de cidade inteligente, em que a tecnologia ajuda a amenizar os problemas do dia a dia das grandes cidades, como os engarrafamentos, por exemplo.
“O 5G pode mudar muitas questões tanto na vida da cidade quanto na vida pessoal de cada usuário. Além do acesso à internet, que é o básico, a gente vai ter muito mais coisas trabalhando automaticamente linkadas via nuvem, dando respostas para nós sobre o nosso dia a dia, porque a velocidade agora é muito maior e isso permite um tempo de resposta muito mais preciso para aquilo que está sendo usado”, avalia.
Tempo é dinheiro
Quanto mais rápida for a implementação da nova geração de internet móvel, maior será o impacto do 5G sobre o crescimento econômico do Brasil. Essa é a avaliação de um estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o levantamento, a diferença entre uma disseminação acelerada ou lenta será de 0,2% no PIB potencial per capita de 2030, o que equivale a R $81,3 bilhões.
A CNI trabalhou com dois cenários de implementação da tecnologia no país. No mais otimista, a penetração será de 81% em 2030. No mais pessimista, cai para 40,5%. O crescimento potencial do PIB é calculado a partir do crescimento da população em idade ativa (PIA) e da produtividade do trabalho.
E é justamente esse indicador que será impactado com a adoção do 5G, diz a CNI. A baixa latência e alta velocidade na transmissão de dados vai permitir ampliar as atividades que precisam de automação e digitalização, favorecendo a consolidação da indústria 4.0.
O estudo destaca, no entanto, que há reformas necessárias para a ampla difusão do 5G mais rapidamente, como:
Atualização das legislações municipais para permitir a instalação de antenas;
Redução da insegurança jurídica associada ao compartilhamento de infraestrutura;
Regulamentação das redes privativas;
Uso dos fundos setoriais de telecomunicações de maneira mais eficaz e transparente;
Aprovação de uma reforma tributária para diminuir o peso de impostos indiretos sobre os serviços de telecomunicações.
Segundo a CNI, o principal gargalo da infraestrutura é o baixo número de antenas instaladas. Para funcionar em sua totalidade, o 5G vai precisar de cinco vezes mais antenas do que o 4G dispõe atualmente.
A ampliação dessa estrutura passa pela modernização das legislações municipais, que impõem restrições “não condizentes às características físicas das novas infraestruturas de telecomunicações”. De acordo com o Movimento Antene-se, apenas 1% dos municípios brasileiros têm leis preparadas para receber a quinta geração de internet móvel.
Internet das Coisas
Velocidade 20 vezes mais rápida trará benefícios à economia e o cotidiano das cidades. /Foto: Reprodução Internet
A nova geração de internet móvel, segundo especialistas, vai potencializar a chamada Internet das Coisas (IoT, do inglês Internet of Things). De acordo com o Ministério das Comunicações, a IoT se caracteriza como a possibilidade de conexão e interação entre um ou mais objetos por meio da internet. Gustavo Brito, executivo da IHM, destaca que muitas pessoas costumam associar o termo “Internet das Coisas” a realidades de um futuro distante, mas não percebem que já fazem o uso desse conceito.
“Quando a gente fala de IoT, muita gente pensa em alguma coisa extremamente emergente ou em tecnologias extremamente avançadas, mas não. A gente já convive com Internet das Coisas há muito tempo”, diz.
Smartphones, smart TVs, tablets e computadores são exemplos de dispositivos que já estão presentes no dia a dia de boa parte dos brasileiros e que têm a capacidade de se conectarem e, até mesmo, interagirem entre si.
No entanto, a Internet das Coisas é bem mais ampla e pode ser aplicada a quase todos os objetos e áreas da vida cotidiana, destaca o especialista em IoT Antonio Bordeaux,. “A Internet das Coisas se aplica em coisas pequenas, até mesmo consideradas antigas, e em coisas que ainda estão em desenvolvimento, como os veículos autônomos”, explica.
Nas casas, por exemplo, a IoT se materializa em uma geladeira que consegue se conectar à internet e informar ao morador, independentemente de onde ele estiver, quais itens estão em falta. Com a Internet das Coisas é possível controlar as luzes, o ar-condicionado, as portas e as janelas, por exemplo, apenas por comando de voz. O conceito também está presente em cafeteiras e torradeiras elétricas, que deixam o café da manhã pronto no horário em que a pessoa quiser.
Cidades Inteligentes
Além do avanço da Internet das Coisas, a nova geração será mais impactante para o desenvolvimento das cidades inteligentes, da indústria e do agronegócio brasileiro.
A Internet das Coisas aplicada ao contexto urbano pode melhorar sensivelmente o dia a dia das cidades e ajudar a resolver ou minimizar problemas, como aqueles relacionados à mobilidade. Imagine um semáforo capaz de gerenciar o trânsito de acordo com o fluxo de carros, graças à integração entre sensores e câmeras espalhados pelas ruas. Se em determinado horário o número de carros estiver maior, o sinal fica mais tempo aberto e vice-versa. Em Londrina, cidade do Paraná que está testando a tecnologia, isso já é realidade.
Antonio Bordeaux cita outros benefícios. “Supondo que tenha uma situação de emergência, calamidade, e você precisa criar um corredor verde, para carros de bombeiro, ambulâncias… esse próprio sistema detecta essa necessidade e ele controla para ter um trânsito mais fluente e esses veículos possam se deslocar rapidamente sem haver mais colisões ou acidentes”, exemplifica.
Indústria e 5G
No setor industrial, a IoT deve otimizar os processos e causar uma revolução. Segundo Bordeaux, será possível se antecipar aos problemas nas máquinas, equipamentos e produtos, trocando as manutenções preventivas pelo que ele chama de predição.
“Através dessas informações, desses dados, quando começa a acontecer algo diferente numa máquina ou num objeto, a inteligência artificial já prevê que vai ocorrer um determinado comportamento. Essa prevenção é diferente da manutenção preventiva, que é meio burra, porque a IA estará monitorando a máquina e vai dizer ‘opa, está tendo um comportamento que leva [a danos]’”.
Agronegócio e 5G
No campo, a IoT vai permitir inúmeras melhorias, projetam os especialistas. Gustavo explica que, por meio da tecnologia, um produtor conseguirá monitorar as culturas. “Através de um IoT, eu consigo medir a umidade do solo e identificar a necessidade hídrica de uma cultura de grãos, por exemplo e por meio algoritmo se define quais são os parâmetros de irrigação necessários para aquele dia ou para a semana. Eu consigo melhorar a gestão de consumo de água e energia”, explica.
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