Seminário do Desenvolvimento Sustentável da Caatinga

Encontro terá cinco eixos temáticos : Políticas Públicas; Mudanças Climáticas; Inovações e novas territorialidades; Cultura, sociodiversidade e alternativas para o desenvolvimento; Alimentação, combate à pobreza e alimentos saudáveis

Numa iniciativa coletiva de várias instituições nacionais dos governos federal, estaduais e municipais, além de representantes da sociedade civil, da Academia, do Consórcio Nordeste, que lidam com a temática da Sustentabilidade na Caatinga acontece de 28 a 30 de junho, na cidade de Campina Grande, na Paraíba, o Seminário Nacional do Desenvolvimento Sustentável da Caatinga (Seminac) sob a coordenação de uma parceria executiva do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), Unidade Gestora de pesquisa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ministério de Integração e do Desenvolvimento Regional (MDR) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Idesne).

Durante os três dias do Seminac, a Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, estará sendo o foco de debates sob cinco eixos temáticos: Políticas Públicas, financiamento e novos arranjos institucionais; Mudanças Climáticas, serviços ecossistêmicos e geodiversidade; Inovação e novas territorialidades da Caatinga; Cultura, sociodiversidade e alternativas para o desenvolvimento e, por último, Alimentação, combate à pobreza e alimentos saudáveis.

Para o economista Adroaldo Quintela, diretor Executivo do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Idesne), um dos secretários-executivos do Seminário junto com a presidente do INSA, Mônica Tejo, a proposta é posicionar o Bioma Caatinga e suas múltiplas riquezas e diversidades na fauna, na flora, na cultura, e sua potencialidade econômica para a indústria de alimentos, fármaco como centro das agendas estratégicas de políticas públicas, assim como para instituições financeiras públicas e privadas e Instituições internacionais e bilaterais.

“Os debates vão reforçar a real necessidade de reconhecer o Bioma Caatinga como patrimônio Nacional, inserido em nosso semiárido, onde mais de 30 milhões de pessoas sobrevivem das riquezas dessa área, única no mundo, em suas diversas heterogeneidades”, disse.

Eixos Temáticos

Na programação sugerida pelos organizadores um tema deve chamar à atenção pela sua tempestividade diante da realidade mundial : os efeitos das mudanças climáticas, serviços ecossistêmicos e geodiversidade. Quais boas práticas surgem para serem executadas e atingir a sustentabilidade na Caatinga?

A coordenadora da temática é a doutora em Ecologia e Recursos Naturais, Alecksandra Vieira de Lacerda, professora associada do Centro de Desenvolvimento do Semiárido (CDSA), da Universidade Federal de Campina Grande e vice-presidente do Conselho da Biosfera Caatinga (RBCA-Mab- UNESCO).

“O seminário é uma oportunidade para nós, atores sociais, discutirmos possibilidades e desafios do nosso bioma quanto à sua sustentabilidade. Em especial, nas temáticas de Mudanças Climáticas, serviços ecossistêmicos e geodiversidade vamos observar nosso bioma para ações positivas que estejam centradas dentro do eixo de sustentabilidade”, reforçou a coordenadora do Eixo 2, do Seminário.

As perdas e os processos de degradação da Caatinga também compõem preocupações dos debates a serem realizados. Alecksandra coloca esse ponto como “comprometedor” diante das possibilidades sobre o desenvolvimento sustentável do bioma.

“Temos consciência e responsabilidade, enquanto estudiosos e cidadãos, que o bioma Caatinga tem suas marcas referenciais importantes, principalmente, considerando a riqueza biológica presente nos seus espaços e precisamos enxergar esses marcadores. Iremos traçar pautas de discussões e observar estratégias que possam ser colocadas na pauta humana ressaltando esses valores como serviços ecossistêmicos essenciais em quaisquer que sejam os biomas” alertou.

Assim como outros biomas, a Caatinga não pode ser tratada diferente. Temos, do ponto de vista das marcas e das relações geográficas, as mesmas referências dos outros ecossistemas. É preciso discutir as boas práticas, até porque, o mundo vem observando a questão da sociedade e suas ações positivas em relação ao meio ambiente“,acrescentou a coordenadora do Eixo 2 e vice- presidente da Biosfera Caatinga.

A especialista acredita que a urgência no debate não somente deve ocorrer no ambiente governamental, acadêmico e de instituições que lidam diretamente no Bioma Caatinga.

“O nosso bioma é estratégico e precisamos fazer o despertar da sociedade em relação à essa nova visão que estamos construindo a partir de suas riquezas, seus serviços ecossistêmicos. Pensar hoje nos recursos naturais associados a esses serviços ecossistêmicos que são prestados quer seja na regulação, de suporte, de provisão ou em serviços culturais para que a gente possa impulsionar o desenvolvimento e a sustentabilidade”, sentencia.

Inovação e novas territorialidades

A Tecnologia e seu uso transversal para o Bioma Caatinga será o terceiro eixo a ser discutido sob um olhar mais humano, já que diante das dificuldades inerentes do ambiente territorial da Caatinga tecnologias simples já estão sendo aplicáveis e com resultados positivos para quem ali habita, sobrevive, estuda, pesquisa.

Tiago Araújo Pereira é quem coordena o eixo 3 do Seminário. Como coordenador geral de arranjos produtivos e inovadores do Ministério da Integração Desenvolvimento Regional, o especialista adianta que a proposta é abordar tecnologias que sejam , de fato , bem aplicadas aos diversos sistemas produtivos, com o objetivo principal de aumentar produtividade, com o emprego de técnicas e tecnologias apropriadas para o bom convívio.

Entre os palestrantes, a diretora Executiva do INSA, professora Mônica Tejo, e o próprio Tiago Araújo vão trazer a temática de Tecnologias sustentáveis e inovação para Caatinga.

“Vamos abordar justamente as rotas de integração nacional que é uma ação estratégica da política nacional de desenvolvimento voltada para inovação tecnológica e utilização de técnicas e tecnologias também dentro da caatinga. Isso tudo dentro de uma proposta, numa abordagem de uma das rotas que a gente trabalha, que é a rota da inovação tecnológica, a rota da TIC”, adianta o coordenador do Eixo 3.

O próprio Instituto Nacional de Tecnologia do Semiárido, o INSA, onde acontece o Seminário, é um forte indutor do uso da tecnologia e inovação no Bioma Caatinga. Foi por meio da Tecnologia SARA (Saneamento Ambiental e Reúso da Água) que está em curso uma alternativa eficiente no saneamento rural sustentável na região do Semiárido, tornando a vida das famílias mais digna.

Em entrevista exclusiva em edições anteriores à Nordeste, Mônica Tejo evidenciou a importância da tecnologia SARA , quando já se utiliza os efluentes de águas cinzas e negras. O sistema está composto por uma unidade de tratamento, um reator denominado ASB, e duas lagoas de polimento que estão dimensionadas para que se reduza a carga microbiana do esgoto gerado pela família, pela escola, pela comunidade, ou pelo município. Com esse reaproveitamento dos efluentes, há de fato uma água de reuso com uma baixa contaminação de patógenos e uma segurança na sua manipulação direta e utilizá-la em processos ou em áreas irrigadas.

“Apesar de ser de uso restrito, podemos irrigar frutíferas, palmas, espécies madeireiras, forrageiras, mas nada que se consuma diretamente irrigado com essa água de reuso, pois nossa legislação não permite dessa forma. É uma tecnologia que está sendo implantada no semiárido brasileiro com mais de 80 unidades instaladas sendo nas escalas familiar, escolar, comunitária e municipal. Isso é muito positivo para que possamos estar contribuindo de forma direta ou indireta a segurança alimentar da sociedade que está inserida no semiárido”, disse, na ocasião, a diretora do INSA, em sua entrevista concedida à Nordeste.

Além da Tecnologia SARA , o INSA já disponibiliza tecnologias voltadas à captação de águas de chuvas, além de outros modelos de utilidade da tecnologia de reuso de domínio público para trazer alternativas relacionadas ao uso dos recursos hídricos. nutricional da espécie, para que ela tenha uma potencialização na sua produção no campo.

É relevante também os estudos relacionados à biodiversidade da caatinga, por exemplo, a bioprospecção de cactus. No INSA ,o cactário Guimarães Duque, possui mais de três mil espécies catalogadas e identificadas, além da coleção in vitro, onde são realizados testes de substâncias isoladas a partir de seu potencial com universidades, com a FioCruz, com objetivo de pesquisar os bioativos existentes dentro da múltipla biodiversidade do Bioma.

Serviço

Para participar do Seminário de Desenvolvimento Sustentável da Caatinga as inscrições podem ser feitas a partir do link 1º SEMINAC | Seminário Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Caatinga em Campina Grande – 2023 – Sympla. O evento ocorre na sede do INSA, em Campina Grande, onde será transmitido online pelo canal Youtube.

Local: INSA Sede – Avenida Francisco Lopes de Almeida, 4000 Serrotão – Campina Grande, PB
Para maiores informações entre em contato através do telefone (15) 99118-6998 ou o e-mail seminac@insa.gov.br

*Matéria publicada na edição 197 da Revista Nordeste, elaborada pela editora do EJ, jornalista Luciana Leão

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Luciana Leão

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