Convergência dos símbolos pascais I José C. Leão Filho

A celebração da Páscoa é uma prática marcante das religiões judaica e cristã. Existem muitas semelhanças entre os símbolos e significados destas duas festividades. É interessante saber que a Páscoa cristã teve início justamente em um dia de Páscoa em Jerusalém. Jesus Cristo e seus discípulos organizaram a ceia pascal na casa de um homem, do qual não sabemos o nome.

A Páscoa cristã, última ceia
A Última Ceia, por Leonardo da Vinci. Foto: Wilkipédia

Jesus Cristo nasceu em Belém como parte de uma família judaica que seguia as tradições de sua religião. Como muitos judeus da época, eles faziam peregrinações anuais a Jerusalém para celebrar a Páscoa, uma das principais festas judaicas. Foi durante a última Páscoa de Jesus antes de sua morte que Ele instituiu a Ceia do Senhor, também conhecida como a Última Ceia, que se tornou um dos principais ritos do cristianismo.

Nessa ocasião, Jesus ofereceu aos seus discípulos pão e vinho, que Ele declarou serem seu corpo e seu sangue, respectivamente. Com esse gesto, Jesus antecipou o sacrifício que faria na cruz, onde seu corpo seria torturado e morto e seu sangue seria derramado. Jesus Cristo é considerado o Cordeiro de Deus, ou o Cordeiro Pascal nas escrituras sagradas. Assim, a Páscoa cristã celebra a libertação da escravidão do pecado e da morte pela graça de Deus, simbolizada pelo sacrifício do Cordeiro Imaculado, Jesus Cristo.

O sangue do cordeiro sem manchas também foi o sinal para que o anjo da morte, na terrível noite ocorrida mais de 1.300 anos antes, no Egito. Pelas portas marcadas com sangue o anjo passou por cima, isto é, não entrou. Este é o significado original da palavra hebraica Pessach.

Poucos dias depois da tragédia o faraó libertou os hebreus. Daí em diante, anualmente, do 14º ao 21º dia do mês de Nisã, os judeus celebram a festa da libertação e da redenção. Convergem, portanto, judeus e cristãos, nos símbolos e significados principais da Páscoa – o cordeiro sacrificado e o seu sangue.

Convergência nos outros símbolos e significados

No Egito, Deus julgou e condenou faraó pela escravização dos hebreus. A justiça de Deus é um mistério para os homens, e muitas vezes está encoberta para a razão humana. Para lembrar disso, os judeus realizam na Páscoa o rito de esconder parte dos pães asmos e colocam as crianças para procurar. Quem encontra recebe um prêmio.

O julgamento de Jesus também é lembrado nos ritos da Páscoa cristã, durante a via sacra. Nesse percurso de 14 estações toda tortura a que foi submetido e sua morte na cruz também lembram de certa forma a dor dos hebreus enquanto escravos, e a opressão que representa o domínio do pecado sobre os homens.

As ervas amargas, em nosso meio muito comum o uso do bredo, também cumprem este papel na simbologia pascal.

Tanto na festa judaica como na cristã as velas acesas representam a iluminação provida por Deus para a escuridão dos primeiros passos na nova vida.

As vestes dos sacerdotes trazem nas cores seu significado mais marcante – as brancas sinalizam para a pureza e inocência do cordeiro sacrificado e as vermelhas lembram o sangue derramado e purificador.

Além disso, a Quaresma, período de quarenta dias que antecedem a Páscoa, e os preparativos para a Páscoa na celebração judaica são símbolos da a purificação e renovação espiritual manifestados através da prática do jejum e das boas obras.

A Páscoa foi cumprida na pessoa de Jesus Cristo

O que é certo é que Jesus reinterpretou e ressignificou a Páscoa dos judeus baseado na sua própria experiência e na obediência à missão recebida do Pai. A Páscoa passou a ser encarada como um mandamento que foi cumprido em Jesus Cristo e que adquiriu maior significado na pessoa de Jesus Cristo.

Para os cristãos todo domingo é dia de celebrar a obra e vida de Jesus Cristo, todo domingo é dia de rememorar sua morte e ressurreição, portanto, todo domingo é de Páscoa, e a Páscoa deve se renovar todos os dias em que a vida amanhece com uma mensagem de fé e esperança.

*José Carneiro Leão é médico-pediatra e professor de Medicina da Universidade de Pernambuco (UPE). Estudante do Seminário Teológico Episcopal Carismático, SETEC-Recife.

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