A Caatinga Resiliente | Por Luciana Leão

 

Na primeira coluna do ano, escolhemos um tema que anda há décadas esquecido ou não devidamente inserido quanto à sua importância no Semiárido nordestino: o bioma exclusivamente brasileiro, a Caatinga, responsável pela sobrevivência de milhares de famílias nordestinas.

São inúmeras as iniciativas de grupos, entidades não governamentais que trabalham para fazer desse território rico em biodiversidade, seja na fauna, na flora, no solo, mas pouco conhecido dos próprios políticos e da sociedade como um todo. 

Para simbolizar ações que fazem a diferença na região trazemos ao conhecimento a ONG Caatinga, com sede no Sertão do Araripe, em Pernambuco, fundada em 1988, com atuação em 10 municípios da região, beneficiando cerca de 1000 famílias.

A coluna conversou com Rejane Lopes, comunicadora popular e integrante da ONG Caatinga que, inclusive, tem um programa de rádio semanal, onde tem a participação de agricultores e transmite informações de interesses da comunidade. E, diariamente, um programete de 2 minutos que vai ao ar diariamente em uma rádio local. O instrumento é essencial para a comunicação chegar em escala maior das ações da ONG para seu público.

Projetos em campo

A escassez da água é uma realidade na região, mas não o fim.  Com apoio da ONG, as famílias agricultoras utilizam o reuso de água, a que denominam de ‘cinza’, usadas em suas casas com banho, lavagem de roupa, de louça e reaproveitam no plantio das culturas, com um sistema de filtragem composto por pedra, brita e areia. 

A água passa por essa filtragem e vai para um outro tanque e nesse tanque é bombeada para um sistema de gotejamento que vai para as plantas e demais culturas.

Da água para preservação agroecológica 

Com ausência de um poder público permanente, a ONG Caatinga conta com recursos de instituições internacionais como a Cáritas, da Alemanha, da ActionAid Brasil oferecendo assessoria técnica, extensão rural e educação contextualizada para que  agricultores compreendam a importância da preservação ambiental da Caatinga e possam ter uma produção seguindo os preceitos da bioeconomia sustentável. 

Rede múltipla

Além do apoio das instituições internacionais, a ONG Caatinga faz parte de algumas redes no Nordeste, que reúne várias organizações da região. 

Entre as quais a ASA, que é a Articulação Nacional do Semiárido, da Rede ATER Nordeste de Agroecologia, e integra uma rede internacional chamada Drynet,  de combate à desertificação.

Reviver a cultura do algodão

Entre as prioridades para este ano está a continuidade do projeto Barragem dos Algodões, em Ouricuri. Atualmente o projeto é financiado pelo Governo de Pernambuco. 

As famílias assistidas pela ONG trabalham com sistemas agroflorestais para produção de alimentos no formato de florestas. “Introduzimos plantas, frutíferas, mas também plantas da caatinga, e plantas adubadeiras, para conservar o solo e plantas forrageiras e ter alimentação também para os animais”, diz a comunicadora.

Sensibilizar e preservar

Para Rejane Lopes, as iniciativas podem parecer incipientes para um bioma que possui uma área territorial de quase 850 mil Km2, no Semiárido nordestino. Mas fazem a diferença quando a informação correta chega às famílias e modificam a vida de milhares de brasileiros que vivem sobre o solo da Caatinga.

A experiência da ONG modificou ao longo de quase quatro décadas a forma do manejo da agricultura, fazendo com que a curva percorra o sentido contrário. Ou seja, nada é desperdiçado. 

Da água empoçada, do reuso, conserva-se e transforma-se em matéria orgânica, por meio do sistema agroflorestal, produzindo mais alimento e introduzindo outras culturas como feijão, sorgo e gergelim. É um bioma de oportunidades, sintetiza Rejane Lopes.

É isso. Viva a Caatinga!

Até a próxima.

* Coluna Comunicação & Sustentabilidade publicada originalmente nesta quarta-feira (11), no Jornal do Sertão PE

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Luciana Leão

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